Biofábrica de Cacau em Ilhéus é visitada por comitiva da Seagri

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21/07/2019

Biofábrica de Cacau em Ilhéus é visitada por comitiva da Seagri

A biofábrica de cacau produz e distribui aos agricultores mudas de clones de cacaueiros selecionados, de altíssima produtividade e resistentes a doenças, como a vassoura-de-bruxa

 

Uma comitiva da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação Pesca e Aquicultura do Estado da Bahia (Seagri) visitou o Instituto Biofábrica de Cacau, em Ilhéus, na tarde da última sexta-feira, 19, em paralelo ao Festival Internacional do Cacau e do Chocolate.

A biofábrica é vinculada ao Governo do Estado e a primeira unidade do mundo destinada à produção contínua de cacaueiros selecionados, de altíssima qualidade e produtividade, e resistentes a doenças, como a vassoura-de-bruxa.

É um exemplo de como a tecnologia pode impulsionar de forma significativa uma produção agrícola. O material genético lá desenvolvido faz com que a produção do cacau baiano não mais sucumba a nenhuma praga e nem prejudique os produtores.

Assim, o cacau especial do sul da Bahia continuará originando chocolates diferenciados, além de diversos outros produtos derivados, como mel de cacau, geleia e creme de cacau, cachaça de cacau, chopp de nibs de cacau, chocolates de teores diversos do cacau e em barra, bombons, trufas, entre outros.

“São muitas as oportunidades para que os ganhos de toda a cadeia produtiva do cacau aumentem, e no que depender da secretaria, daremos todo o suporte para que isso aconteça. A Seagri apoia o desenvolvimento da cadeia produtiva do cacau e quer ver o chocolate daqui fazer cada vez mais sucesso”, afirmou o secretário Lucas Costa.

Política pública

A biofábrica de cacau é o resultado de um investimento da Seagri em pesquisa e biotecnologia moderna para solucionar a principal praga que dizimou os cacauais e arruinou a produção, a economia e a vida da maior parte dos cacauicultores há cerca de 30 anos. É parte de uma política do Governo do Estado para apoiar os produtores e alavancar a cadeia produtiva do cacau.

Hoje, um dos resultados mais visíveis desta política pública é a Bahia voltar a ser o maior produtor de cacau do país, retomar a exportação não só do fruto in natura, mas de todos os seus derivados, e estar se tornando também uma referência na produção de um chocolate de qualidade diferenciada.

“Dá gosto de ver a recuperação da cacauicultura na região e a quantidade de fábricas de chocolate se instalando em Ilhéus, atraídas pela excelente qualidade do cacau e um mercado consumidor crescente. Continuamos trabalhando para apoiar o desenvolvimento e a melhoria da produção de toda a cadeia produtiva do cacau e do chocolate”, afirmou o secretário.

Ele explicou que um dos diferenciais do cacau produzido no sul do Estado é a produção do cacau ser feita de forma sustentável, preservando a imensa biodiversidade da região, pelo sistema cabruca, com as mudas melhoradas biotecnologicamente plantadas à sombra das árvores nativas no meio da mata atlântica. “É produzido um cacau orgânico, de altíssima qualidade, propiciando a produção de chocolates finos e especiais”, afirmou o secretário Lucas Costa.

As amêndoas de cacau produzidas no sul da Bahia receberam o registro de indicação geográfica do Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI) em reconhecimento às inovações introduzidas pelas novas gerações de produtores em métodos de cultivo e gestão agrícola, como as iniciativas do “cacau fino”. Esta denominação de origem reconhece as características especiais do fruto produzido na região. Os produtores esperam que, em breve, as pessoas possam escolher comprar os chocolates com o selo de Ilhéus, porque vão saber que será um chocolate diferenciado.

 

Investimento do governo

 

A biofábrica de cacau produz, multiplica e distribui aos agricultores clones das mudas com um material genético de alto valor agronômico, pela técnica do cultivo in vitro. Possui a maior área de viveiros em campo aberto do mundo, com capacidade para produzir cinco milhões de mudas por ano.

Lá também são produzidas também uma vasta quantidade de cultivares, entre mandioca, banana, abacaxi, goiaba e espécies florestais nativas.

Cultivares são espécies de plantas destinadas à alimentação ou agricultura que foram melhoradas geneticamente por cientistas e pesquisadores através da alteração ou introdução de uma característica que antes não possuíam.  

 

Fazenda modelo de produção de cacau

A comitiva, formada pelo secretário Lucas Costa; o chefe de gabinete, Wesley Faustino; o superintendente de Desenvolvimento Agropecuário, Adriano Bouzas; e o gestor público Marcelo Senhorinho, foram também a uma área demonstrativa da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), na Fazenda Formosa, modelo de produção. Ela alia sustentabilidade e uso de tecnologias em uma experiência de excelência na região, do produtor José Mendes.

Eles viram os resultados de experimentos em andamento e a difusão de novas tecnologias desenvolvidas pelos pesquisadores, como manejo integrado, fertirrigação e adubação de áreas, indução de resistência de cacaueiros, e também de melhoramento e beneficiamento da amêndoa de cacau.

A comitiva da Seagri esteve também no Porto de Ilhéus verificar as condições de exportação dos produtos do agronegócio baiano. Pelo maior porto exportador de cacau do país, cuja história está vinculada à expansão das lavouras na região de Ilhéus e Itabuna, é escoada a produção da região e, em breve, será a plataforma logística de construção do Porto Sul.

Junto com a Ferrovia de Integração Oeste Leste (Fiol), as estruturas marítimas e terrestres aumentarão as possibilidades de desenvolvimento das cadeias produtivas de toda a região. Além da exportação do cacau, pelo porto também são escoadas a produção de soja, milho, amêndoas, madeiras e celulose, óxido de magnésio, magnesita, equipamentos para a geração de energia eólica e outras cargas geral. Além disso, o porto atua ainda na operação turística.

Ascom Seagri

Letícia Belém

Fotos: Wesley Faustino/Adriano Bouzas/Seagri e Daniel Thame/Secom