Secretaria de Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária
Aspectos Gerais Descrição / Tipos Utilização da Jaqueira Necessidades da Jaqueira Propagação/Formação de mudas Plantio/Tratos Culturais Pragas da Jaqueira Colheita/Rendimento Bibliografia
Aspectos Gerais:
A jaqueira Artocarpus
integrifolia L, / Artocarpus heterophilus Lam., Moraceae,
Dicotyledonae - originária da Ásia (Malásia. Índia), foi
trazida para o Brasil pelos portugueses; aqui a planta adaptou-se
muito bem.
Descrição / Tipos:
É árvore de porte ereto,
elevados (atinge 20 a 25m. de altura), tronco com diâmetro acima
de 1m., tem copa densa e irregular com folhas verde-escuras
coriáceas e brilhantes. As flores, sem pétalas, agrupam-se em
inflorescencias masculinas e femininas localizadas no tronco e
ramos mais grossos. O fruto composto - a jaca é formado pela
reunião de frutos simples, soldados em torno de um eixo central;
é um sincarpo, com formação globosa, oval ou alongada, tem
comprimento em torno de 70cm. e peso de até 40Kg.. Maduro a sua
casca tem cor amarelo-acastanhada e aroma peculiar e forte. As
sementes numerosas - até 500 unidades por fruto - são
envolvidas, individualmente, por uma polpa (bago) amarela,
visguenta, aromática, sabor doce, de consistência mole a dura.
A planta é melífica.
A composição da polpa do fruto, por 100 gramas, é: água 84%, carboidratos 18,9g., proteína 1,9g., gordura 0,1g., fibra 1,1g., cálcio 20mg., fósforo 30mg., ferro 0,5mg., Vit A 540 U.I., tiamina 30 U.I.; a semente contem 6,6% de proteínas e 25,8% de carboidratos.
Os tipos - variedades - mais cultivados da jaqueira são: jaca-dura (com frutos grandes-15,30, 40Kg.- e bagos de consistência rígida); jaca-mole (frutos menores, bagas doces com consistência mole) e jaca-manteiga (com bagos adocicados e de consistência intermediária) é comum no Rio de Janeiro.
Utilização da
jaqueira:
Madeira: é branco-acinzentada que escurece, ao
contato com o ar, tomando a aparência de mogno. É madeira de
lei, utilizada em construção naval (cavername), e na
construção mista (carpintaria e mercenaria).
Planta: utilizada em florestamentos, em sebes quebra-ventos, para proporcionar sombra a animais em pastos e como planta ornamental.
Folhas: verdes, picadas ou moídas, são destinadas ao arraçoamento de aves, caprinos, ovinos e suínos.
Fruto: ao natural os bagos são consumidos frescos pelo homem; processados compõem doces, compotas, polpas congeladas, refrescos, sucos, bebidas (licor). Os animais consomem o fruto fresco picado, em sua integra. Em medicina caseira o bago é utilizado no tratamento de tosses (propriedades expectorantes).
Semente: rica em amido pode ser consumida assada; assada e moída produz farinha utilizável para preparo de biscoitos, doces, outros. Em medicina caseira a semente trata desarranjos intestinais.
Ainda, lenhada, a jaqueira exsuda resina medicinal de propriedades cicatrizantes.
Necessidades da jaqueira:
Clima: planta de regiões quentes e úmidas, de clima
tropical úmido, a jaqueira também desenvolve-se em regiões de
clima subtropical e semi-árido desde que haja a utilização da
irrigação artificial (Ceará).
A planta requer temperatura média anual de 25ºC, chuvas acima
de 1.200 mm/ano (bem distribuídos), umidade relativa do ar em
torno de 80%, dias ensolarados. Geadas são danosas à jaqueira.
Solos: profundos, bem drenados, férteis, areno-argilosos não sujeitos a encharcamento, pH entre 6 e 6,5.
Propagação/Formação
de mudas:
A propagação da jaqueira pode dar-se via vegetativa -
borbulhia em janela aberta e encostia (produzem mudas para
plantios comerciais) e via sexuada (utilizando-se de sementes).
Formação de mudas
via sementes:
Sementes - os frutos fornecedores das sementes devem ser obtidos
de árvores precoces, vigorosas, sadias e de boa produção; as
sementes devem ser retiradas do fruto e mergulhadas em água fria
por 24 horas e semeadas, a seguir (baixa viabilidade).
Recipientes: podem ser sacos de polietileno preto, dimensões 20cm. x 30cm. , cheios com mistura de terra areno-argilosa ou terra de mata (3 partes) e esterco de curral bem curtido (1 parte). Os sacos podem ser colocados em fileiras duplas espaçadas de 60-80cm. e o viveiro deve ser coberto com folhas de palmeiras para proporcionar, inicialmente, 50% de sombra; a medida que as mudas desenvolvem-se vai-se permitindo entrada de mais luz.
O semeio é feito colocando-se 2 a 3 sementes, em posição horizontal, a 3 a 5cm. de profundidade; quando mudinhas tiverem 5cm. de altura efetuar o desbaste deixando a mais vigorosa. Alcançando 15 a 20cm. de altura a muda estará apta a ser plantada em local definitivo. As irrigações devem ser feitas sem excessos.
Plantio/Tratos Culturais:
O preparo do solo pode
necessitar das operações de derruba, destoca, queima, controle
de cupins e formigas, aração/gradagem do terreno, com
antecedência hábil ao plantio.Espaçamento a utilizar podem ser
10m. x 10m. ou 10m x 8m. que propocionam densidades de 100 a 125
plantas por hectare respectivamente. As covas podem ter
dimensões de 50c. x 50cm. x 50cm. ou 60cm. x 60cm. x 60cm. e
são abertas 60 dias antes do plantio quando separa-se a terra
dos primeiros 15 a 20cm. de altura.
Sugere-se para adubação de fundação, a mistura da parte da terra separada a 15-20 litros de esterco de curral bem curtido e a 500g. de calcário dolomítico e lança-se ao fundo (logo após sua abertura); o restante da terra é misturada a 500g. de superfosfato simples a 100g. de cloreto de potássio enchendo-se a cova pouco antes do plantio.
O plantio é efetuado no início da estação chuvosa; na cova abre-se espaço para torrão da muda de modo a que a superficie do torrão fique 5cm. acima da superficie do solo. Retira-se o fundo do recipiente da muda, coloca-se o torrão na cova e vai-se retirando o plástico, chegando-se terra e comprimindo-a. Prepara-se "bacia" com terra em volta da muda e cobre-se com palha ou capim sem sementes. Irriga-se com 20 litros de água; caso haja falta de chuvas pós plantio, irrigar a muda, semanalmente, com 20 litros de água.
Manter controle de ervas daninhas roçando-se as ruas e efetuando capinas em "coroamento" com raio igual ao da copa da planta, pelo menos. Eliminar ramos secos, ou doentes ou praguejados ou ainda aqueles mal situados que dificultem formação da copa ou frutificação.
Sugere-se, para
adubação em cobertura, a aplicação das quantidades de adubos
abaixo relacionadas - por planta, por vez; no início da
estação chuvosa, em cobertura sob a copa, incorporando a
mistura levemente ao solo.
Quadro I; Adubação em Cobertura da Jaqueira
Ano vida
Ureia
S. S (1)
KCl. (2)
Esterco (3)
planta
g/cova
g/cova
g/cova
l./cova
1º (4)
55
-
35
15
2º
65
220
65
20
3º
85
290
85
20
4º
100
350
100
20
5º
130
440
130
20
Safreiras
160
450
140
20
(1) Superfosfato Simples
(2) Cloreto de Potássio
(3) Esterco de curral, aplicação única no início das chuvas
(4) primeira aplicação no "pegamento" da planta, segunda fim das chuvas.
Os consórcios da jaqueira com outras lavouras podem ser feitos com plantas leguminosas - de baixo porte e de ciclo curto - respeitando-se a distancia hábil a haver entre jaqueira/lavoura. Pode-se utilizar amendoim, feijão, soja, outras.
Pragas da Jaqueira:
Entre as pragas da
jaqueira cita-se:
Abelha-cachorro
(rapuá); abelha preta que pode estragar flores;
controla-se por destruição de seus ninhos e pulverização com
produtos químicos a base de diazinom, malatiom (Malatoe) ou
paratiom,(Folidol).
Arlequim-da-mata: besouro de patas longas, corpo
grande, com cores verde, vermelho e preto cuja larva branca
(lagarta) broqueia abrindo galerias no tronco; controla-se
limpando-se orifícios - por onde lagarta expele serragem - e
aplicando 1cm. de pasta fosfina (Gastoxim) ou paratiom (2cc) ou
gasolina (2cc), vedando-se o orifício, logo após, com argila ou
cera de abelha, objetivando-se matar a larva do besouro.
Besouro-do-fruto: besouro pardo com riscos
escuros nas asas, que ataca frutos destruindo a polpa; é
controlado pela pulverização dos frutos com produtos a base de
malatiom, diazinom, carbaryl.
Cigarrinhas dos brotos: ataca brotos e
pendúnculo do fruto; mesmo controle da Irapuá.
Cochonilhas: atacam folhas; podem ser
controladas pela pulverização de mistura de óleo mineral para
agricultura + inseticidas fosforados (malatiom, diazinom,
paratiom).
Bicho-cesto: lagarta que se alimenta de folhas.
Pode ser controlada pela pulverização de produtos químicos
inseticidas à base de triclorfom e carbaryl.
Colheita/Rendimento:
-O ponto de
colheita é demonstrado pelo aroma forte que os frutos exalam e
por som ôco que emitem quando neles se bate. Uma jaqueira pode
produzir frutos por um período de 100 (cem) anos.
-Plantas provenientes de mudas de sementes iniciam frutificação no 5º ou 6º ano pós transplantio com frutos pequenos e pouco numerosos; com a sucessão dos anos tamanho e número aumentam. A produção de uma jaqueira adulta pode alcançar 50 (cinquenta) a 100 (cem) frutos por árvore e por ano.
-Frutos devem ser conservados em ambiente fresco e seco e consumidos o mais rapidamente possível.
Editora Abril
S/A
Guia Rural Plantar - São Paulo - 1992
Secretaria da
Agricultura de São Paulo
Casa da Agricultura V.2 nº 7 São Paulo Dez./80
Editora
Agronomica Ceres
Manual de Entomologia
São Paulo - 1978
Jornal a
Tarde
Suplemento "A Tarde Rural".
Data: 17/03/89
Secretaria da Agricultura,
Irrigação e Reforma Agrária