Secretaria de Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária
Aspectos Gerais:
Planta frutifera de origem
sul-americana (brasileira), conhecida há mais de 400 anos,
também existente no Paraguai, Uruguai e Argentina. Indigenas
tupis saboream seu fruto, que chamavam jaboticaba jaboti
(cágado), caba (lugar onde) na forma natural ou em bebida
fermentada que preparavam. Muito conhecida no sul do país a
jaboticabeira é encontrada vegetando desde o estado do Pará ao
Rio Grande do Sul.
Usos da Jaboticabeira:
Planta: a madeira,
resistente, é destinada ao preparo de vigas, esteios, dormentes
e obras internas.
Fruto: em uso caseiro o fruto é consumido ao natural ou usado no
preparo de doces, geleias, licores, vinho, vinagre. Em
indústria, o fruto é usado para o preparo de aguardente,
geleias, jeropiga (vinho artificial), licor, suco, xarope; o
extrato do fruto é usado como corante, de vinhos e vinagres. Em
medicina caseira utiliza-se: o chá-de-cascas para tratar
anginas, desinteria e erisipelas; a entrecasca do fruto, em chá,
destina-se ao tratamento de asma.
Botanica / Descrição / Tipos :
- A jabuticabeira
é vegetal da família Myrtaceae, Dicotiledonae, genero
Myrciaria, que possue varias espécies a saber: M. coronata
(jaboticaba coroada), M. cauliflora (jaboticaba paulista), M.
peruviana (jaboticaba de cabinho), M. grandi flora
(jaboticatuba), M. jaboticaba (jaboticaba sabara), entre outras.
- Planta com porte variavel (3 a 9 m. de altura - segundo a espécie), cauliflora (flores em tronco e ramos), folhas opostas e lanceoladas, flores brancas; fruto globoso, de tamanho variavel (diametro entre 1,6 a 2,9 cm.), cor variada (roxa, branca, verde, rosada) quando maduro, polpa branca, saborosa e doce, com 1 a 4 sementes amareladas..
- Entre os tipos mais comuns encontra-se: Sabará: árvores pequenas, com grande potencial produtivo, ou árvores grandes com pouco potencial produtivo, frutos pequenos, roxos, doces, de maturação precoce.
Necessidades da Planta
Clima - Planta de clima tropical e
subtropical úmido, sem excesso de umidade; não suporta
estiagens prolongadas e geadas fortes. Em regiões secas o
cultivo da jaboticabeira requer irrigação adequada;
jaboticabeiras desenvolvendo-se bem são encontradas em regiões
onde a temperatura média anual está em torno de 20ºC (Rio
Grande do Sul) a regiões onde a temperatura média anual está
em torno de 30ºC (Pará). A pluviosidade mínima (chuvas)
requerida é de 1.000mm./ano( ideal em torno de 1.500mm./anuais
bem distribuidos). A umidade relativa do ar entre 75% a 80% e
luminosidade em 2.000 horas/luz/ano. Com cortinas quebra-vento
(eucalipto, grevilha, pinus) o pomar deve ser protegido de ventos
dominantes.
Solos - Embora adaptável a solos de tipos diversos a jabuticabeira requer, preferencialmente, os silico argilosos; devem ser profundos, bem drenados, ferteis, com boa umidade (na floração/frutificação), pH 6,5-7,0. Os terrenos devem ter altitude até 500 m.; a planta não se adapta às várzeas.
Propagação:
A jabuticabeira pode ser
propagada por sementes, por estaquia, por enxertia; embora mais
precoces que as plantas pé-franco os enxertos produzem plantas
de copas menores e menos produtivas.
Obtenção de Sementes: Os frutos fornecedores de sementes devem ser colhidos em plantas boas produtoras, precoces e isentas de pragas e doenças; a seleção do fruto subordina-se à forma, tamanho, coloração e natureza da superficie segundo caracteristicas da espécie. As sementes obtidas devem ser bem constituidas, vogorosas e sadias, na sua escolha, eliminar 28 a 30% delas (mal conformadas e chochas). Um g. de semente pode conter de 40 a 50 unidades. Após romper sua casca (c/canivete ou unha) aperta-se o fruto para obter-se a semente envolta pela polpa; esta é eliminada deixando-a fermentar por 24 horas ou lavando-a com cal em peneira ou esfregando-a sobre peneira ou espremendo-a em saco de pano (tecido ralo). Em seguida a semente é espalhada sobre papel absorvente ou pano e colocada a secar à sombra.
Por perder poder germinativo facilmente a semente deve ser posta a germinar até 5 dias após a sua obtenção.
Formação de Mudas:
Via sementes: em canteiros
de terra em sacos plásticos: Canteiros: para semeio de grandes
quantidades de sementes. O canteiro deve ter 1,2 m. de largura,
comprimento variável; a terra composta de 1 parte de areia, 1
parte de terra argilosa e 4 partes de terra de mata (fértil),
com supeficie destorroada a aplainada. O semeio é feito a 1-2
cm. de profundidade, com espaçamento 30 cm. (entre linhas) e 10
cm. (entre sementes). Abre-se sulcos transversais, semeia-se,
fecha-se sulco e irriga-se bem. A germinação ocorre em 15 a 30
dias: 6-12 meses após o lançamento das primeiras folhas a muda
com 15 cm. de altura é repicada para viveiro ou para saco
plástico com terra bem estercada. Dois meses antes da repicagem
o leito do canteiro deve ser preparado; nele abre-se sulcos com
20 cm. de profundidade e que recebem 100 g. de superfosfato
simples misturados a 6 Kg. de esterco de curral para cada m. de
sulco. A repicagem é feita num espaçamento de 80 cm. x 40 cm.
Ao atingir 60 cm. de altura a muda estará apta do plantio em
campo. Para acelerar o desenvolvimento da muda em canteiro e
viveiro pode-se preparar mistura de 30 g. de ureia, 30 g. de
cloreto de pótassio e 50 g. de superfosfato simples, toma-se 5
gramas dessa mistura e dissolve-se em 10 l. de água. Aplica-se
ao solo ao lado plantinha de 15 em 15 dias, a partir das
primeiras semanas pós emergencia.
Sacos Pásticos: o substrato para enchimento do saco é semelhante do da terra para leito do canteiro, substituindo 1 parte de terra por 1 parte de esterco. O semeio e tratos são similares aos do canteiro. As dimensões do saco devem ser 15 x 25 ou 18 x 30.
Vias Estacas: na primavera retira-se da planta ramo com 80 cm. de comprimento com 5-7 cm. de grossura, aponta-se sua extremidade inferior, lasca-se em cruz e, com marreta, enterra-se 2/3 da estaca, irrigar.
Plantio:
Irrigar um pouco o fundo
da cova e colocar o torrão com a muda (mantendo colo da planta 5
cm. acima do superficie) na cova e encher cova com mistura terra
/ adubo. Fazer pequena bacia, em torno da muda, irrigar com 20 l.
de água e colocar cobertura morta (palha, capim seco) em 5 cm.
de altura.
Tratos Culturais:
Ervas: efetuar capinas em
"coveamento" a plantas; manter ervas daninhas sob
controle.
Podas: eliminar galhos que tendam a "fechar" a copa para facilitar arejamento e penetração de raios solares. Eliminar galhos secos, doentes, tortuosos e mal-distribuidos. Na formação da copa eliminar ramos da base do caule para que a copa fique a 80 cm. ou mais de altura do solo.
Adubação: anualmente, no período das chuvas, adubar cada planta com 20 l. de esterco de curral mais 300 g. de superfosfato simples + 200 g. e cloreto de potassio, com leve incorporação. A cada 2 meses aplicar 50 g. de ureia à planta e incorporar.
Consorciação: leguminosas não trepadeiras de pequeno porte, (feijão, amendoim e soja) são indicados para o consorcio.
Pragas e Doenças -
Pragas:
Cochonilhas:
Capulinia spp, Homoptera, Asterolecaniidae. Sem carapaça,
recoberto de pó branco, o inseto localiza-se na casca de tronco,
galhos e ramos e pagina inferior das folhas.
-Controle: com luvas ou pedaços de aniagem friccionar galhos e
ramos para expor o inseto; em seguida pulvereza-se óleo mineral
a 1% a 1,5% ou óleomineral (750cm3) + diazinom 60 E
(100 cm3) ou malatiom 50 CE (200 cm3).
Broca-das-Mirtáceas:
Timocrata albella (Zeller 1839) Lepidoptera, Stenomidae. O adulto
é mariposa de corpo e asas brancas; a lagarta desenvolvida tem
coloração violeta e 25-35 mm. de comprimento. Agromeração de
excrementos e pedaços de casca ligados por fios de seda em
tronco e ramos são sinais da praga.
-Controle: tira-se a camada de excremento e injeta-se 2-3 cm. de
gasolina ou paratiom no orifício e fecha-se o orifício com
barro ou cera de abelha.
Gorgulho da Jaboticaba:
Conotrachelus myrciariae (Marsh, 1929) Coleoptera, Curculionidae
- Adulto, besouro amarelado e larva (lagarta) branca, sem pernas,
que alcança 9 mm. de comprimento. A lagarta devora polpa e
sementes.
-Controle: Catação / destruição de frutos atacados,
pulverização de frutos com Fentiom 50 CE (200 / 100 l. de
água) ou Paratiom 60 E (100 ml. / 100 l. de água).
Doenças:
Ferrugem:
Puccinia psidii Wint. (fungo) - Doença afeta folhas, botões,
flores, frutos e ramos; manchas necroticas circulares. cobrem-se
de massa pulverilenta de cor amarelo-vivo (frutificações do
fungo).
-Controle: pulverizações com calda bordalesa ou fungicidas
cupricos ou com mancozeb ou benomyl.
Colheta / Rendimentos:
Três meses após a
floração a jaboticabeira inicia a frutificação; com
adubação mais intensa e sob regime de irrigação artificial, a
jaboticabeira pode dar 2 a 3 floradas/ano.
O ponto de maturação é mostrado por cor bem escura da casca (salará coroada de cabinho, ...) ou cor verde-clara e macios à compressão com os dedos (branca), entre outras.
A colheita é feita à mão, com auxilio de escadas; os frutos são colocados em sacos a tiracolo (sem deixar cair no chão). Desses sacos passam a cestas ou caixa pequena (para evitar esmagamento) sem forro (para circular ar). Tendo casca consistente o fruto apresenta boa conservação e resiste bem ao transporte. Uma jaboticabeira pode produzir 200 Kg, 500 Kg, 800 Kg e até acima de 1.000 Kg (sabara) de frutos por ano. A planta inicia produção entre 5º a 8º ano e a produção pode prolongar-se por 30 anos ou mais.
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:
EDITORA ABRIL S/A
Guia Rural Plantar
São Paulo - 1991
MATTOS, JOÃO MATTOS -
JABOTICABEIRAS
Publicação IPRNR Nº 10 - Porto Alegre 1983
Governo do Estado do Rio Grande do Sul.
CASA DA AGRICULTURA
Jabuticabeira, Planta Nativa V.2 Nº 6 nov/dez/1980
São Paulo
F.A M. MARICON
Inseticidas e seu emprego no combate às pragas
Biblioteca Rural - Livraria Nobel S/A
REVISTA TODA FRUTA
Vol. 4 Nº 39 outubro/89
Secretaria da Agricultura,
Irrigação e Reforma Agrária