Secretaria de Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária
Origem e Histórico:
É uma das espécies vegetais mais antigas cultivadas
pelo homem. O local de sua origem é incerto podendo situar-se
entre Ásia e a África. De Candolle afirma ser o gergelim
originário da ilha de Sonda (África), segundo Caminhoá o
gergelim provem da Ásia e da África e, para outros autores, o
gergelim é originário apenas da Ásia. Os principais centros de
origem e difusão são a Etiópia (centro básico) e Ásia
(Afeganistão, Índia, Irã e China).
A planta do gergelim é cultivada desde a antigüidade; no Egito, tempo dos faraós, já se aproveitava o gergelim para obtenção do óleo, os impérios entre os rios Tigre e Eufrates (Ásia Menor) cultivavam comercialmente o gergelim, os orientais - notadamente os indianos- consideravam as sementes do gergelim quase sagradas.
Chegou ao Brasil (Nordeste) trazido pelos portugueses no século XVI; aí foi plantado, tradicionalmente, como " cultura de fundo de quintal " ou em pequenas áreas - de separação de glebas - chamadas de terreiros. O produto obtido - grãos - era consumido, a nível de fazendas, e havia raros excedentes para comercialização.
Aspectos Econômicos:
Gergelim no Mundo
No período de 1990-1996 a área plantada de gergelim no mundo
girou em torno de 6 milhões de hectares; Ásia e África detém
cerca de 90% da área cultivada destacando-se a Índia (37%) e
China (12%) como os maiores plantadores. Em 1995 a produção
total de grãos de gergelim no mundo foi de 2,738 mil toneladas;
os principais países produtores são a Índia e China - com 50%
da produção total - seguidos do Sudão, Uganda, Bangladesh e
Etiópia.
O maior consumidor mundial é a Índia pois consome tudo que produz, o maior importador é o Japão e o maior exportador é a China.
Os preços internacionais variam de US$500 a US$700 por tonelada de semente; o óleo extraído com solventes tem alcançado preços variando entre US$800 e US$1.000/tonelada.
No ranking dos 17
principais óleos vegetais do mundo o de gergelim mostrou
produção de 700 mil toneladas no período 1996/97.
Gergelim no Brasil
A situação do gergelim no Brasil, em 1995, era da
produção de 13 mil toneladas em 20 mil hectares plantados, com
rendimento em torno de 650 kg de grãos/hectare, em cultivos
comerciais encontrados no estado de São Paulo.
No Brasil o gergelim existe no Nordeste do país - Ceará, Rio Grade do Norte, Paraíba e Bahia - e no Centro-Sul; em São Paulo o gergelim é plantado há mais de 40 anos para produção de óleo e uso em indústrias (doce), em restaurantes e em casas de comida natural.
A partir de 1986 o gergelim passou a ser cultivado comercialmente no Nordeste (por fomento e pesquisa com a cultura nos estados do Rio Grande do Norte, Ceará e Paraíba); inicialmente plantou-se 1.000 hectares que evoluíram para 7.000 hectares em 1988. A falta de financiamento para a cultura e a ausência de estrutura de comercialização fizeram a lavoura retornar aos fundos dos quintais. Produtores nordestinos - da Bahia, Rio Grande do Norte e Ceará - fizeram exportações exploratórias ao Japão e Holanda; o gergelim nordestino teve lá boa aceitação e abriu perspectivas para expansão da cultura.
A ociosidade da
indústria de óleo nordestina, a resistência da planta à seca
e a facilidade do seu cultivo aliados à possibilidade de
exportação do óleo para a comunidade européia, Japão, Israel
e outros países, permitiriam afirmar que há grandes
possibilidades de tornar a gergelimcultura de grande importância
para o Nordeste brasileiro em futuro próximo.
Gergelim na Bahia
Embora haja potencial para o gergelim o seu plantio na Bahia
é incipiente; crê-se que um trabalho sério de divulgação da
cultura poderá incrementar a produção.
O cultivo do gergelim na região de Barreiras é realizado por pequenos produtores, em pequenas áreas (fundo de quintal), sem obedecer qualquer técnica de cultivo. Não há disponibilidade de cultivares melhoradas o que determina baixa produtividade e leva o desestímulo ao produtor. A produção do gergelim é utilizada para a subsistência na forma de paçocas melhorando a qualidade da alimentação ( grão rico em óleo e minerais). Nas propriedades ou artesanalmente produz-se doces, gersal, cocada, tijolinho, fubá e pé-de-moleque.
Entende-se que o gergelim é grande alternativa para melhorar a renda de pequenos produtores - cultura bastante resistente à seca, com produtividade variando de 500 kg a 2.000 Kg/ha, preço de quilograma de sementes variando de R$1,00 a R$3,00 e fácil comercialização notadamente em São Paulo e em Brasília.
Por 3 anos
consecutivos a EBDA/Barreiras testou 13 cultivares de gergelim
nas regiões do Vale e Cerrado; a produtividade variou de
500-1.100 Kg/ha. Há pesquisas em andamento para espaçamento e
adubação fosfatada; como problemas houve a incidência de
cigarrinha, pulgão, lagarta enroladeira, mancha angular, e
podridão negra do caule.
Dados Gerais sobre Gergelim em Barreiras
| Zona Produtora |
Épocas |
Variedades Cultivares |
Área Plantada |
Espaça- mento | Rendimento Armazenamento |
|
| Plantio | Colheita | |||||
| Reg. Do Vale | Jan/Fev | Abr/Mai | N/definidas | S/estimativa | 1mx1m | 600Kg/ha(sequeiro) 1500-2000Kg/ha(irrigado) |
Botânica/Descrição/Variedades:
O gergelim é conhecido pelo nome científico de Sesamum
indicum, L, Dicotyledonae, Pedaliaceae; vulgarmente também
é conhecido por sésamo, zirgelim, girgilim e jorgelim.
Planta cresce como pequeno arbusto alcançando altura de 1,8m; tem hábito de crescimento ramificado ou não, as folhas da parte alta tem forma de ponta de lança, as mais baixas crescem mais largas, arredondadas ou dentadas. As flores podem ter cor rósea, branca ou violeta e o fruto é uma baga alongada com pelugem contendo sementes pequenas com cor variando do branco ao preto.
As cultivares (variedades) podem ser diferenciadas por vários atributos da planta como altura, ciclo, coloração- do caule, das folhas e das sementes - tipo de ramificação e resistência às pragas.
Cultivares que apresentem cor da semente branca ou creme possuem maior valor comercial (sementes escuras tem demanda restrita ao uso caseiro e medicinal)
Segundo as características edafoclimáticas do Nordeste A EMBRAPA tem recomendado as cultivares , CNPAG2 e CNPAG3, CNPAG4 para plantios, à saber:
CNPAG2: obtida no CPATSA/Embrapa, tem porte mediano, ciclo médio (100 dias), 3 frutos/axila, sementes coloração creme, tolerância à mancha angular e susceptibilidade à cercosporiose e à murcha de macrophomina. É recomendada para plantio de sequeiro ou irrigado em todo o Nordeste.
CNPAG3: porte mediano (altura até 160cm), ciclo médio (100 dias), hábito de crescimento ramificado, possui resistência à mancha angular e susceptibilidade à cercosporiose e murcha de macrophomina. Indicada para regiões nordestinas onde a mancha angular tornou-se problema.
CNPAG4: (BRS196): plantas com haste cor verde, ausência de pelos nas folhas e hastes, porte de 155 cm (porte mediano), precoce (90 dias), crescimento ramificado, floração/maturação uniformes, sementes cor creme, um fruto por axila foliar, teor de óleo de 48-50%, peso médio de 1.000 sementes de 3,1 gramas. Tolera murcha de macrophomina, mancha angular e cercosporiose.
Adapta-se ao Nordeste e cerrados de Goiás.
Exige áreas com altitude média de 250m., temperatura de 25-27ºC, precipitações entre 400 e 600mm anuais, solos profundos (acima de 60cm), pH em torno de 7. Gasta-se 3 kg de sementes para plantar 1 hectare, espaçamento de 0,6-0,8 X 0,1-0,2m.
OBS: em regiões do Nordeste onde há maior risco de seca ou com período chuvoso curto recomenda-se cultivares de ciclo curto a médio; em condições de irrigação ou como segunda cultura ou lavoura de seca (Agreste) também deve-se dar preferência a cultivares mais rápidos.
Cultivares de grãos pretos - nativos do Nordeste - com ciclo de 150 dias ou o Gouri, com ciclo de 90 dias, podem ser usados para trabalhar-se nessa faixa de mercado.
Usos do Gergelim:
O principal produto do gergelim é o grão (semente).
Seu uso vai da culinária à medicina e à indústria
farmacêutica e de cosméticos à porções afrodisíacas. Os
grãos são comestíveis, fornecem óleo e farinha, contem
vitaminas A, B, C, e possuem bom teor de cálcio, fósforo e
ferro (grãos pretos são mais ricos em cálcio e vit. A).
Os grãos claros, tostados, dão farinha muito nutritiva; esta novamente tostada e passada numa centrífuga transforma-se em um tipo de manteiga conhecida como tahine (de grande uso entre os árabes); o gergelim preto é usado no preparo do gersal (gergelim + sal) que se constitui num dos temperos básicos da culinária e substância da medicina macrobiótica e integral, considerado alimento ideal para tirar a acidez do sangue, para aumentar a atividade e o reflexo cerebral, para combater as doenças venéreas e para fortalecer a pele.
Na culinária caseira usa-se o grão como tempero e dele extrai-se farinha usada como massa para biscoitos, bolachas, bolos, pães e pastas.
O uso do gergelim ainda se dá por:
Plantado em consórcio com o algodoeiro o gergelim ajuda a controlar o bicudo.
As sementes: de gergelim são pequenas, achatadas, coloração variando do branco ao preto; os teores médios dos componentes encontrados em 100 g. de grão são: (5,4%), calorias (563), proteínas (18,6), óleo (49,1%), carboidratos totais (21,6%), fibras totais (6,3%), cinzas (5,3%), cálcio (1.160mg), fósforo (616mg), ferro (10,5mg), sódio (60mg), potássio (725mg), vit. A (30 UI), tiamina (0,98mg), riboflavina (0,23mg), niacina (5,4mg); 1.000 sementes pesam, em média, 2,59 gramas.
O óleo: de gergelim tem teores altos de ácidos graxos insaturados, de proteína digestível, e de sesamol (2%); além do mais o óleo possui grande resistência à rancificação por oxidação (propriedade atribuída ao sesamol).
A torta: de gergelim tem alto teor de proteína (39,77%), baixo teor de fibras (4,7%); obtida por prensagem (método Expeller) dos grãos a torta ainda possui 8,2% de umidade, 12,8% de óleo, 22,8% de carboidratos e 11,8% de cinzas.
Clima - O gergelim é considerado planta tropical e subtropical; vem sendo cultivado em quase todos os países de clima quente e em zonas temperadas (mais amenas, até 16ºC). O gergelim distribuiu-se, no mundo, entre as latitudes de 25 º N e 25 º S mas pode ser encontrado medrando na China, na Rússia e nos EUA.
A altitude da zona de plantio não deve ultrapassar a 1.250m. (para a maioria das cultivares), a temperatura média do ar deve estar entre 25ºC e 27ºC (notadamente para germinação, para manter crescimento/desenvolvimento da planta e para manter altos os teores de sesamina e sesamolina). A planta requer 2.700 unidades de calor (graus térmicos) por 3-4 meses, chuvas leves de 400 a 650mm./ano bem distribuídas - 160 a 180mm. no primeiro mês de vida -, brilho solar por 12 a 14 horas/dia (10 horas de preferência);baixas altitudes (próximas ao zero) e boa luminosidade são interessantes para o gergelim.
O gergelim é considerada planta resistente à seca; Weis 1971 (citado pela Embrapa), idealizou a distribuição das chuvas para o gergelim da seguinte forma: 35% do total de chuvas da germinação ao aparecimento do primeiro botão floral, 45% durante o período da floração e 20% no início da maturação.
Solos - O gergelim prefere solos profundos - 0,6m. a acima - com textura franca, bem drenados e de boa fertilidade natural (macro e micronutrientes) e nunca solos salinos. A planta pode crescer/desenvolver-se em tipos diversos de solos sem atingir a plenitude observada nos solos preferenciais. Os solos devem apresentar reação neutra - pH próximo a 7 - não tolerando, a planta, aqueles com pH abaixo de 5,5 ou acima de 8, é extremamente sensível à salinidade e alcalinidade (por sódio trocável). Em regiões semi-áridas do Nordeste (Seridó, Cariri, Sertão) os solos são razoáveis para o cultivo da planta que é considerada esgotante do solo sendo sensível ao encharcamento e a saturação hídrica do solo.
Plantio - O gergelim deve ser propagado, comercialmente, por sementes; por serem pequenas elas devem ser lançadas em solo bem preparado objetivando-se facilitar a emergência das plantinhas, promover seu estabelecimento rápido e evitar a competição de ervas.
Preparo do Solo - Pelo pequeno produtor é feito via uso do cultivo (operação contra indicada); o preparo "convencional" - uma a duas arações e uma a duas gradagens - feito por médios e grandes produtores é inadequado para as condições tropicais. Para o preparo indica-se:
Preparo com solo seco: Inicialmente fazer trituração e pré-incorporação de restos culturais e plantas daninhas tardias através de grade aradora; em seguida realiza-se uma aração de 20-30cm. de profundidade plantando-se no seco ou no início do período chuvoso.
Preparo com solo úmido: Tritura-se e incorpora-se restos culturais e plantas daninhas com uso de grade leve ou niveladora; 7 a 15 dias após incorporação realiza-se uma aração com arado de aiveca. Evitar uso de grade aradora ou muito pesada.
Épocas de plantio: Para cultivares de ciclo longo (4-6meses) recomenda-se o plantio no início das chuvas; para cultivares de ciclo longo fazer plantio
Semeadura: A semeadura pode ser realizada em sulcos contínuos, à mão ou mediante o emprego de semeadoras adaptadas. Há semeadora manual bastante simples e de fácil construção; consta de uma lata de óleo de soja de um litro, com um furo no fundo e acoplada (amarrada) a uma haste de madeira própria para o plantio em covas. Ela abre a cova (ponta da madeira) e semeia (6-10 sementes) simultaneamente. Não utilizar sulcos com profundidade acima de 3cm.; segundo o espaçamento adotado gasta-se 1 a 3 quilos de sementes para semear um hectare.
Deve-se plantar em período tal que o amadurecimento/colheita das plantas ocorra em período seco (sem incidência de chuvas sobre as capsulas abertas).
Os espaçamentos recomendados para o Nordeste brasileiro - onde o fator limitante é água - são de 100cm. entre fileiras - com uma planta a cada 20cm. na fileira para cultivares que se ramificam - e 60-70cm. entre fileiras - com uma planta a cada 20cm. na fileira - para cultivares que não se ramificam e de ciclo curto. Para cultivares de ciclo médio a curto e de habito de crescimento ramificado - policaule - tem-se obtido, preliminamente, rendimentos satisfatórios com configurações envolvendo fileiras duplas - 170cm. x 30cm x 10cm. (100 mil plantas/hectare).
Adubação: O gergelim é considerado planta esgotante de solos; de uma maneira geral, para fins de adubação, recomenda-se retirar amostras de solo, na profundidade de 0-20cm. por áreas uniformes do terreno a plantar e enviá-las a laboratório para análise. Caso análise indique fósforo disponível acima de 10 ppm dispensar o uso de adubação fosfatada; se o teor de matéria orgânica for superior a 2,6% não se recomenda o uso de fertilizantes nitrogenados.
Cultivando gergelim em solos desgastados - sem restauração da fertilidade via adubação orgânica e/ou inorgânica -, os rendimentos obtidos deverão ser baixos. Salienta-se que é preferível colocar gergelim em sistema de rotação cultural - com milho e algodão herbáceo - em solos adubados no ano anterior.
Tratos Culturais - Desbaste: para atender à recomendações referentes aos espaçamentos e densidades de plantio é necessário proceder-se ao raleamento ou desbaste no campo; este deve ser feito em duas etapas e com solo úmido:
Primeira: Plantas com 4 folhas - deixa-se 4-5 plantas por unidade de espaçamento dentro da fileira;
Segundo: Plantas com 12-15cm. de altura - em desbaste definitivo-deixa-se uma a duas plantas por unidade de espaçamento dentro da fileira.
Controle de ervas daninhas: gergelim é planta de crescimento inicial lento; o preparo do solo já auxilia no controle de ervas quando é feito com trituração/incorporação e aração com terreno úmido. Além disso usa-se métodos mecânicos - enxada ou cultivador - ou métodos químicos - herbicidas -.
Os cultivos mecânicos devem ser superficiais e realizados logo no início (plantas jovens são vulneráveis à ação do cultivador). Os equipamentos devem operar superficialmente no máximo a 4cm. de profundidade.
No caso de herbicidas os produtos comerciais deverão ser, em sua maioria, aplicados em pré-emergência (PRE) em solo úmido; para uso desses químicos deve-se levar em conta a textura do solo, (areia, barro, argila) e o teor de matéria orgânica. Caso a população de ervas for mista - folhas largas + folhas estreitas usar mistura de herbicidas (graminicida + latifolicida). Testes com produtos químicos demonstraram que, em condições de sequeiro ou de irrigação, o Alachlor (3-4 kg/ha) e o Diuron (1,1 kg/ha) , ambos em PRE da cultura e ervas, foram os herbicidas mais eficientes.
Pragas do Gergelim: Lagarta enroladeira: Antigastra catalaunalis, Lepidoptera. É a principal praga de cultura, exige controle sistemático em lavouras extensas ou em áreas tradicionais de cultivo notadamente em anos de pouca chuva.
O adulto fêmea é um inseto - mariposa - amarelo-castanho que efetua postura na face inferior da folha; dois a cinco dias após surgem larvas - lagartinhas - branco-amareladas (mais tarde passam a verde-amareladas) que dobram o limbo da folha no sentido longitudinal e se alimentam da face dorsal. Em ataques severos as lagartas abrem galerias no ápice da planta e nas cápsulas (frutos) reduzindo drasticamente a produção de grãos.
O controle deve ser feito antes da frutificação - fases anteriores - com duas aplicações em pulverização com agroquímicos à base de carbaryl (Carvim, Sevin) ou deltametrina (Decis).
Saúvas: Atacam a fase inicial do desenvolvimento do gergelim; em áreas recém-desmatadas deve-se efetuar o controle com produtos formicidas.
Cigarrinha Verde: Empoasca sp., Homoptera. Inseto transmissor de viroses e da filoidia para o gergelim notadamente quando existem feijoeiros e malváceas (guanxumas e vassaourinhas) contaminados nas cercanias. O inseto adulto mede 3-5mm. de comprimento, tem cor verde, possue asas. São saltadores magníficos, as formas jovens são verde-claras, sem asas e deslocam-se lateralmente com movimentos rápidos.
Todos sugam a seiva das folhas e estas e plantas atacadas apresentam-se verde-amareladas, bordas das folhas enrolados para baixo e ramos com cor verde-pálida.
O controle pode ser feito através de aplicação de agroquímicos à base de Tiometom ou Pirimicarb.
Pulgão: Aphis sp., Homoptera: praga de importância principalmente em culturas conduzidas sob irrigação e/ou consorciadas com o algodoeiro. O adulto é um inseto pequeno, de corpo mole, reproduz-se sem concurso do macho em locais quentes, vive em colônias sugando a seiva da face interior de folhas, brotos e ramos tenros. Plantas atacadas apresentam folhas brilhosas com o aspecto "melado" característico (deposição de fezes na face inferior).
Controle: vide praga anterior.
Vaquinhas Amarelas (besourinhos)- Coleoptera. São problemas nos 30 dias iniciais de desenvolvimento da lavoura quando provocam orifícios ovalados nas folhas. Podem ser controlados com malatiom, carbaryl, deltametrina.
Mancha Angular: agente causador de doença- fungo Cylindrosporium sesami, Hansford: das principais moléstias, causa sérios prejuízos à planta; atinge, por vezes, 100% das plantas, afetando folhas. Produz lesões angulares quadráticas ou retangulares e irregulares, cor parda ou parda-escura, mais claras na face inferior da folha. Embora existam nas duas faces as estruturas do agente estão mais presentes na face superior. O fungo ataca, com mais intensidade as folhas baixas (mais velhas) que caem desfolhando a metade inferior da planta. O agente é propagado de local a local por sementes infectadas.
O controle é feito por: -uso de cultivares resistentes à doença; - pulverização com fungicida à base de sulfato de cobre quando as plantas atingirem 25-30cm. de altura; - uso de sementes sadias, livres do agente, obtidas de plantas sadias e tratamento de sementes com fungicidas à base de carbendazim ou tiofanato metílico.
Podridão Negra do Caule: agente causador fungo Macrophomina phaseolina (Tassi) Gold: ocorre com severidade causando grandes prejuízos à planta; no caule e ramos aparecem lesões de coloração marrom-claro que podem circundá-lo ou estender-se longitudinalmente até próximo ao ápice da planta. Plantas atacadas podem secar e morrer posteriormente. O controle passa por cultivares resistentes.
Murcha de Fusario: agente causador da doença - fungo Fusarium oxysporum: aparece em quase todas as regiões onde se cultiva o gergelim; através corte transversal do caule pode-se observar o enegrecimento dos tecidos do sistema vascular das plantas que, com esses sintomas murcham, secam e morrem. Doença ocorre desde estágio de plântula até a maturação.
O controle é feito pelo uso de sementes livres do agente, por rotação de culturas e por uso de variedade resistente (a Aceitera).
Virose: plantas afetadas podem ficar atrofiadas mostrando áreas cloróticas ou de cor amarela intercaladas com áreas verdes na superfície foliar. A doença pode ser transmitida pela cigarrinha verde.
Filoidia: caracteriza-se pelo encurtamento dos internós e pela proliferação abundante de folhas e ramos na parte apical da planta afetada, que exibe um aspecto de envassouramento. Por transformação dos órgãos florais em folhas há esterilidade da planta. A moléstia é transmitida por enxertia e por insetos pasídeos.
Rotação de Culturas: - A rotação de culturas promove benefícios na produtividade e redução de pragas no gergelim e lavouras que entrarem no sistema de rotação. Os seguintes esquemas são preconizados por Silva(citado pela Embrapa) a saber: feijão-gergelim, milho-gergelim-milho, mamona-amendoim-gergelim. Cannechio Filho 1972(citado pela Embrapa) salienta que as melhores culturas para a rotação com o gergelim são milho e algodão herbáceo.
Colheita/Rendimento: - Colheita: segundo as condições ambientais e a cultivar o gergelim completa o seu ciclo entre 3 e 6 meses. Por apresentar frutos deiscentes - que se abrem naturalmente na maturação (e deixam cair as sementes que se perdem) na maioria das cultivares - a colheita do gergelim requer cuidados. Por ocasião da colheita as cápsulas devem estar maduras sem estarem abertas.
Para se realizar uma colheita bem feita deve-se:
A colheita pode ser feita manual ou mecanicamente; na manual as plantas são cortadas na base e amarradas em feixes pequenos de 30cm. de diâmetro para que as plantas, protegidas das chuvas, fiquem empilhadas com os ápices (parte de cima). Hastes e frutos já secos devem ser levados a um terreiro cimentado ou o piso com lona, feixes virados de cabeça para baixo, o operário deve bater com um pedaço de madeira para liberar os grãos de gergelim para o piso protegido. Recolhe-se os grãos, faz-se abanação (retirada de folhas e pedaços de galhos), coloca-se o lote para secagem ao sol. A exposição das cápsulas abertas às chuvas (umidade) provoca o escurecimento dos grãos e sua depreciação comercial do produto; para se evitar isso deve-se sincronizar a época de plantio e o ciclo da cultivar para colher-se na época de estiagem.
Rendimentos: Sessenta (60) a cento cinqüenta (150) gramas de sementes ou mais - duzentos (200) gramas - de grãos por metro quadrado traduzem em bom rendimento da lavoura; As cultivares neste artigo relacionadas podem render 2.000kg/ha de grãos - lavouras irrigadas - e 500-1.000kg/ha (lavouras de sequeiro). Cultivar CNPAG 2 produz 600kg/ha (sem adubação) e 1.000kg/ha (com adubação).
EMBRAPA
ALGODÃO
Gergelimcultura no Trópico Seminário Nordestino
Circular Técnica n.º 18 julgo/1994 - Campina Grande - Paraíba
EBDA
REGIONAL DE BARREIRAS
Situação do gergelim em Barreiras
Agro. Jazon Silva Oliveira - Pesquisador - julho/2000 -
Barreiras/Bahia
EDITORA
ABRIL S/A
Guia Rural Plantar - dezembro de 1991 - São Paulo/SP
Guia Rural Ervas e Temperos - janeiro de 1991 - São Paulo / SP
LUIZ EPSTEIN
Agosto / 2000
SDA / DDA SEAGRI - SALVADOR
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Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária