Secretaria de Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária
Aspectos Gerais:
- A mangueira -
Mangifera indica, L. Dicotyledonae, Anacardiaceae - é
originária da Ásia, (Índia); foi trazida ao Brasil pelos
portugueses, tornando-se uma das principais frutíferas
cultivadas no Nordeste brasileiro.
- A produção mundial em 1994 foi de 18.450.000 toneladas (FAO) destacando-se Índia, China e México, como principais países produtores que ofertaram 66,5% da produção naquele ano (FAO).
- A produção brasileira em 1993, foi de 563.511 toneladas destacando-se as regiões Nordeste (47%) e Sudeste (43%) como maiores produtoras de manga (IBGE). Na Bahia destacam-se as regiões econômicas do Baixo Médio São Francisco, Serra Geral e Oeste (IBGE, 1994) como principais produtoras de manga ofertando 80% da produção baiana; a Bahia produziu 58.268 t. de manga, em área colhida de 7.342 ha., em 1994, quando se destacaram Livramento de Brumado (15%), Juazeiro (13%), Vera Cruz e Maragogipe como municípios maiores produtores (IBGE, 1994).
- As exportações baianas de manga, em 1996 (IBGE), foram dirigidas a Países Baixos (81%), E.U.A (13%), ao Reino Unido, França, Espanha e Uruguai. Em 1995 a Bahia recebeu 8,8 milhões de dolares com exportações de mangas frescas ou secas. (IBGE).
Usos da Mangueira:
Fruto: a
polpa é consumida ao natural - chupada em pedaços, em refrescos
- ou processada em sorvetes, sucos concentrados, geléias,
gelatina, compotas, doces, sorvetes, polpas congeladas, purês. O
fruto verde presta-se a confecção de molhos, temperos - chutney
- para ingleses.
Árvore: caule produz resina de uso medicinal contra desinteria e a madeira é aproveitada em marcenaria. A árvore pode ser usada como ornamental. Casca da árvore, folhas, polpa do fruto, são usadas na medicina caseira.
Necessidades da Planta:
Clima:
deve ser tropical quente embora a planta tolere grande variação
climática.
Temperatura: baixa na floração impede a abertura das flores; alta temperatura pode antecipar a época de colheita. Temperatura elevada só prejudica se acompanhada de vento e baixa umidade relativa na frutificação. A planta desenvolve-se bem e frutifica em temperaturas entre 21 e 27ºC (ótimo 24ºC).
Chuvas: a planta vegeta e frutifica em área com chuvas anuais entre 450 mm. e 2.500 mm. com ideal em torno de 1.000 mm. , regiões com período chuvoso e seco bem definido são ideais para o cultivo da mangueira desde que o período seco inicie-se antes da floração e o chuvoso reinicie-se pós frutificação, imprescindivelmente.
Umidade relativa: não deve estar acima de 60%; umidade alta interfere na polinização e induz proliferação de doenças como oídio e antracnose que reduzem a produção dos frutos.
Luz: a mangueira requer radiação solar abundante para entrar em floração e frutificar com pelo menos, 2.000 horas/luz/ano. As exposições soalheiras são as mais favoráveis e o plantio deve ser orientado no sentido norte e nordeste.
Vento: ventos constantes com temperatura elevada e baixa umidade relativa causam queda de frutos (excesso de transpiração); ventos fortes causam queda de flores e de frutos. Recomenda-se uso de quebra ventos.
Solos: devem ser
profundos, permeáveis e ligeiramente ácidos (pH entre 5,0 e
6,0) e leves; evitar solos alcalinos (induzem cloroses), os
excessivamente argilosos e os sujeitos à encharcamento.
Os solos mais favoráveis à mangueira são os areno-argilosos
ricos em matéria ôrganica e nutrientes, profundos, planos a
ligeiramente ondulados.
Propagação da mangueira:
A mangueira pode ser
propagada por sementes (plantios domésticos) e por enxertia
(borbulha, garfagem) em viveiro para plantios comerciais
visando-se obter pomares mais uniformes, precoces e produtivos.
De ordinário a muda obtida via enxertia de garfagem estará apta
ao plantio em campo 10 meses após semeio da semente para
formação do porta-enxerto. Sugere-se a obtenção de enxertos,
quer para plantios caseiros quer para plantios comerciais, em
viveiristas credenciados por organizações oficiais interessadas
em agricultura.
Formação do Pomar:
Preparo da área:
as operações consistem de roçagem, queima de mato,
encoivaramento e destoca, limpeza da área.
Preparo do solo: procede-se a uma aração a pelo menos 20 cm. de profundidade seguindo-se uma gradagem 20-30 dias após. Coleta-se amostras de solo para análise em laboratório.
Espaçamento/alinhamento:
com bons resultados tem-se usado espaçamento de 10 m. x 10 m . (
100 plantas/hectare ) e até 10 m. x 8 m. (125 plantas por
hectare) para plantios comerciais; o plantio de culturas
intercalares, até a mangueira entrar em franca produção, é
recomendável como cereais anuais, mamão, abacaxi, tangerinas.
Os formatos de plantios podem ser do tipo retângulo, quadrado ou
quinconcio e o alinhamento pode ser quadrangular, retangular,
triangular e em nível (curvas em terreno declivoso).
Coveamento / adubação: as covas poderão ter as dimensões de 50 cm. x 50 cm. x 50 cm. ou 60 cm. x 60 cm. x 60 cm. (solo leve ou pesado); devem ser abertas 30 dias antes do plantio separando-se a terra dos primeiros 15-20 cm. Em seguida mistura-se 15-20 l. de esterco de curral curtido + 300 gramas de superfosfato simples + 200 gramas de cloreto ao solo separado. Caso necessario aplica-se 1.000g. de calcario dolomítico ao fundo da cova e cobre-se ligeiramente com terra; em seguida joga-se a metade da mistura adubos + terra separada à cova.
Plantio: remove-se envoltório plástico da muda, coloca-se torrão com muda na cova de modo que a sua superficie fique ligeiramente acima do solo; com resto da mistura terra + adubos enche-se a cova, faz-se bacia em torno da muda, irriga-se com 15-20 l. de água e cobre-se a bacia com palha ou capim seco sem sementes. A melhor época de plantio é no início do período chuvoso e em dia nublado.
Tratos Culturais:
Eliminação de
ervas daninhas: manter pomar livre de ervas daninhas
através do roçagem no período chuvoso (roçadeiras) e de
capinas no período seco (grades, capina manual ou herbicidas).
Cultivos em coroa ( em torno da planta) podem ser feitos a
enxada. Em pomares novos (notadamente em terrenos frescos),
pode-se cultivar leguminosas. A capina em coroamento é
imprescindível.
Poda: plantas
jovens (Keitt e Palmer) requerem podas leves de formação. Poda
de formação consiste em deixar a muda com 3 ramos laterais que
se originem na planta, a 1m. do solo (de pontos diferentes).
A poda de planta adulta é feita após a colheita dos frutos com
corte de ramos apicais, rebentos do porta-enxerto e tronco,
eliminação de ramos doentes, mortos ou baixos para reduzir o
porte da planta, permitir maior penetração de luz na copa,
facilitar tratos sanitários e a colheita.
Indução artificial de floração: pode-se antecipar a floração com uso de ethephon ou nitratos (de potássio ou de amonio) pulveriza-se plantas a partir de 4 anos de idade (entre o final da estação chuvosa a início da estação seca, em ramos com 7 meses e em horas menos quentes do dia) com 200 ppm de ethephon repetindo-se a aplicação por 2 vezes com intervalos de uma a duas semanas. Um mês após término do tratamento ocorre a floração.
Irrigação:
irrigação é importante, desde pouco depois do plantio até o
início da produção, nos períodos de estiagem; a partir do
quarto/quinto ano de vida irrigar durante o período de escassez
de chuvas e interromper 2-3 meses antes da floração. Voltar a
irrigar na formação/desenvolvimento do fruto com regas semanais
ou quinzenais, irrigar também nas épocas de adubação.
A escolha do sistema de irrigação está condicionada aos
recursos hídricos do local, topografia do terreno,
caracteristica do solo, fatores climáticos, aspectos econômicos
e fatores humanos. Sob sistemas de irrigação por gotejamento,
microaspersão, aspersão, sulcos e microbacias a cultura da
mangueira pode ser explorada.
Quebra-ventos: em regiões onde há ventos fortes e constantes quebra-ventos devem ser instalados antes da implantação do pomar usando-se espécies arbustivas/arbóreas e de crescimento rápido plantadas a 10-12 m. da primeira fileira de mangueiras. Evita-se queda de flores e frutos, quebra de galhos, ressecamento (folhas, galhos novos) diminuição da polinização (por insetos).
Calagem/adubação de manutenção: recomenda-se adubação, via foliar com micronutrientes como cobre, zinco e manganês. Para plantios não irrigados sugere a seguinte adubação de manutenção:
Adubação da mangueira ( g/planta)
Ano Pós pegamento I nício das chuvas Fim das chuvas
U
Kcl
Est.
U
S.S
Kcl
U
S.S
Kcl
1º
55
35
-
-
-
-
55
-
35
2º
-
-
15 l
65
220
65
65
220
65
3º
-
-
15 l
85
290
85
85
290
85
4º
-
-
15 l
110
350
90
110
350
90
5º*
20 l
170
450
100
170
450
100
Obs.:
U - Uréia
Est. - Esterco
* Em diante
Em plantas adultas aplicar adubos em valas a 2,0 m. de distância
do pé e a 20 cm. de profundidade.
Consorciação de Culturas:
Consorciar o mangueiral
com culturas temporarias, de porte médio a baixo (feijões,
amendoim, milho, abóbora, melancia, melão) ou com outras
fruteiras (mamão, goiaba, maracujá, abacaxi); essas
consorciadas devem ser plantadas a 1,5 m. de distância da linha
de plantio da mangueira.
Pragas:
Mosca-das-frutas:
Anastrepha sp., Ceratitis capitata. Diptera, Tephritidae.
Causa grandes prejuízos economicos a cultura da mangueira com perdas de até 50%, na produção. A fêmea põe ovos embaixo da casca do fruto ainda imaturo, as larvas (lagartas afiladas, brancas, sem patas) alimentam-se da polpa do fruto. Desenvolvida a lagarta abandona o fruto, enterra-se no solo de onde emerge o adulto para acasalar-se.
Controle:
- Isca tóxica atrativa: melaço de cana ou proteína hidrolisada
associadas (7 l. melaço ou 1 l. de proteína) a um inseticida
(malathion - 200 ml) em 100 litros de água. Pulverizar a
intervalos de 10 dias (100 ml. de calda/planta) a cada 5 fileiras
de plantas, procurando-se atingir a face inferior da folhagem no
fim da tarde.
- Evitar permanência de frutos maduros na planta ou caídos no chão (devem ser enterrados a 70 cm de profundidade).
- Tratamento pós colheita: imersão do fruto em água quente (46,1ºC) por 75 minutos (frutos até 425 g. de peso) e por 90 minutos (frutos entre 426 e 650 g.)
Cochonilha: Aulacaspis tubercularis, (New, 1906), Homoptera, Diaspididae.
Fêmea possui carapaça circular convexa e branco acinzentada; suga a seiva da planta em todas as partes verdes provocando queda das folhas e secamento de ramos e aparecimento de fumagina (cobertura preta das folhas).
Controle:
- Pulverizações de óleo mineral para agricultura associado a
inseticidas fosforados (diazinom, malathion, paratiom).
Ácaro: Eriophyes mangiferae, Sayed, 1946 - Acari, Eriophyidae.
Adulto tem aspecto vermiforme, cor branca. Infesta gemas terminais e inflorescencias causando atrofiamento e morte de brotos terminais de mudas e plantas adultas.
Controle:
- Deve ser rigoroso em viveiros e pomares em formação. Podar e
queimar inflorescencias mal formadas. Pulverizar com produtos, a
base de dicofol, quinomethionato.
Doenças:
Antracnose -
agente: fungo Colletotrichum gloeosporioides (Penz)
De grande importância econômica por danos que causa ramos novos, folhas, flores e frutos. Folhas com manchas escuras, flores enegrecidas que caem, frutos com lesões irregulares, deprimidas são alguns sintomas.
Controle:
- Plantio com maior espaçamento, podas leves de limpeza e
abertura da copa, plantio em regiões com baixa umidade do ar.
- Pulverizações preventivas (iniciadas antes da floração até alguns dias antes da colheita) quinzenais com benomyl (0,03%), ou semanais com mancozeb (0,16%); a partir da formação dos frutinhos usar fungicidas cúpricos.
- Plantio de variedades medianamnente resistentes como Tommy Atkins, Keitt.
Seca-da-mangueira
Provocada pelo fungo Ceratocistis fimbriata é das
doenças mais graves que afetam a mangueira e pode provocar sua
morte em pouco tempo. Amarelecimento seguido de murcha e seca das
folhas do ramo atacado, formação de bolsas de seiva com
exsudação são sintomas. Dizem que a broca-da-mangueira abre
caminho para a infecção.
Controle:
- Inspecionar pomar com frequência e podar ramos atacados a 40
cm do ponto de infecção e queimá-lo. Desinfetar ferramenta com
hipoclorito. Pincelar parte cortada com pasta cuprica.
- Pulverizar planta afetada e adjacentes com calda contendo oxicloreto de cobre (50%) acrescida de 0,4% de carbaryl (para controle da broca-da-mangueira).
- Usar cultivares (copas e porta-enxertos) resistentes (Tommy Athins, Keitt).
Colapso Interno
Distúrbio fisiológico que produz amolecimento da polpa
e pode atingir todo o fruto. Indicios apontam para desequilibrio
nutricional como causador do problema.
Oidio
Doença proveniente do fungo Oidium mangiferae que causa
danos graves a ramos novos, folhas, inflorescência, flores e
frutos. Pó branco-acinzentado que se deposita sobre o órgão da
planta é o sintoma clássico. Há perda de folhas e flores e
até frutos.
Controle:
- Pulverizações preventivas com fungicidas a base de enxofre
(antes da abertura das flores, na queda das pétalas e após
formação do fruto).
Colheita / Rendimento:
Mangueira enxertada e bem
conduzida inicia produção no 3º ano pós plantio; a produção
econômica começa no 4º ano, e 5 a 6 meses pós floração
inicia-se a colheita. No Nordeste a colheita ocorre, normalmente,
entre outubro e fevereiro e entre agosto e outubro (plantas
induzidas).
Frutos são colhidos desenvolvidos (de-vez) para comercialização e colhidos maduros para consumo imediato; em planta de pequeno porte, colhe-se à mão torcendo o fruto; em plantas de alto porte utiliza-se da vara de colheita (bambu ou madeira flexível com aro de ferro cilíndrico de ¼" ao qual prende-se um saco).
Nas grandes plantações usa-se colhedeira motorizada (triciclo hidráulico).
Na colheita deve-se evitar cortes, abrasões e choques que afetem o fruto. Os frutos colhidos são colocados em caixas coletoras que permanecem à sombra (evitar transpiração, respiração e queimaduras).
Obtem-se 500 a 700 frutos/ano/mangueira adulta; no Nordeste brasileiro tem sido relatados rendimentos de 20-30 t/ha/ano.
EMBRAPA - SPI
Informações Técnicas sobre a Cultura da Manga no
Semi-Árido Brasileiro.
Brasília, DF - 1995
EPABA
Instruções Práticas para o Cultivo de Frutas
Tropicais
Circular Técnica nº 9
Salvador-Ba - Maio - 1984
EDITORA ABRIL
Guia Rural Plantar
São Paulo - SP - 1991
SECRETARIA DA AGRICULTURA,
IRRIGAÇÃO E REFORMA AGRÁRIA - CER
Frutas: A caminho de um Grande Mercado
Salvador - Ba - 1996
IBRAF -
Janeiro/1995
Manga - Fruta a Fruta
MINISTÉRIO DA
AGRICULTURA, DO ABASTECIMENTO E DA REFORMA AGRÁRIA
SECRETARIA DE DESENVOLVIMENTO RURAL - SDR
FRUPEX
Manga para Exportação: Aspectos Técnicos da
Produção
Brasília - DF - 1994
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