Secretaria de Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária
Aspectos Gerais:
Planta é de origem
sul-americana, da parte oriental tropical, de onde foi levada
para a Ásia e África. No Brasil existe cultivo da mandioca em
quase todas as unidades da federação.
Produz-se no país acima de 24 milhões de toneladas de raízes/ano, principalmente nos estados do Nordeste - que contribui com 49% para a produção nacional; - a Bahia contribui com cerca de 17% da produção do Brasil e situa-se entre os principais produtores. O Brasil contribui com 15% para a produção mundial.
Botânica/Descrição/Variedades:
A mandioca é conhecida cientificamente, como Manihot
esculenta, Crantz, Enphorbiaceae, Dicotyledonae.
A palavra mandioca parece derivar da língua dos índios tupis - Mani (nome da filha de um chefe) e oca = casa.
Na língua inglesa é manioc e em língua espanhola manioca.
A planta é um arbusto perene, resistente à seca, com raízes tuberosas (que acumulam amido) de formato variado e em número de 5 a 20. O caule (sem ramificação no período vegetativo) pé ereto, de cor cinza ou prateada ou pardo-amarelada; as folhas são simples, com 5-7 e lóbulos, as flores unisexuadas masculinas ou femininas e o fruto é uma cápsula (tricoca) com 3 sementes e que se abre quando seco. A semente, parecida com a da mamona, contém óleo.
Há 2 tipos de mandioca: mandioca brava ou amarga e a mandioca doce ou mansa (aipim, macaxeira).
Mandioca brava: contém a substância linamarina (no látex, notadamente na casca da raiz e nas folhas) em teor elevado; essa substância transforma-se em ácido cianídrico (altamente tóxico) no estômago do homem e dos animais. É de uso industrial.
Mandioca mansa: contém baixíssimo teor de linamarina podendo ser consumida ao natural (uso culinário).
Obs.: há variedades de mandioca mansa cujas flores tem teor de linamarina mais alto que nas raízes de mandiocas bravas. Cuidados devem ser tomados na utilização de folhas de variedades mansas na alimentação animal.
- Conforme uso há variedades de mandioca para indústria, para a mesa, para forragem, mistas (vários usos).
Ainda separa-se mandiocas segundo finalidades de uso: indústria (farinha, amido, raspas, álcool), consumo humano(mesa) para forragem (raízes frescas e desidratadas, parte aérea fresca e fenada), mistas (para farinha e forragem), e segundo o ciclo de colheita: precoces (10 a 12 meses), semi-precoces (14 a 16 meses) e tardias (18 a 20 meses).
As variedade (cultivares) para indústria devem ser precoces e de grande produtividade, com elevado teor de amido (30%), com raízes cilíndricas, com película fina facilmente destacável.
As variedades para mesa devem ter baixo teor de ácido cianídrico (50 mg/kg de polpa fresca), raízes curtas, grossas, com casca facilmente removível, polpa branca ou amarelada de odor agradável, de cozimento rápido.
As variedades para forragem devem produzir grande quantidade massa verde (ramas tenras e folhas), e raízes, devem ter teor baixo de ácido cianídrico, folhas persistentes, alta capacidade de brotação pós corte, bom teor de proteínas.
Variedades indicadas para o Nordeste trópico sub-úmido: Mmex e Fio de Ouro (indústria), Saracura e Abacate (para mesa) Maragogipe, Casca Roxa e Paraguai (mesa e forragem).
Variedades para o semi-árido: Platina (mesa, indústria e forragem fenada) para região de Itaberaba; Branquinha (mesa) região de Irecê; Alagoana (mesa) para região de Ribeira do Pombal e Caetité (mesa) para a região de Caetité.
Obs : aipins Maragogipe, Paraguai, Casca Roxa, Manteiga são indicados para consumo humano e para forragem (raízes frescas e parte aérea fresca).
A composição química de 100g. de raízes de mandioca é: umidade (65g.), glucídios (30g.), lipídios (0,8g.), protídios (1,5g.), celulose (1,6), cálcio (0,2g.) fósforo (0,1g.).
Utilização da mandioca:
A utilização da mandioca é feita através das raízes, do
caule (maniva) e folhas.
Raízes: produzem farinhas (para mesa, para indústria) beijus diversos, tapioca (mingau, cuzcuz, bolinho de estudante), puba ou carimã (mingau, amido, álcool etílico).
Da raiz do aipim faz-se aipim frito, aipim cozido, angu de aipim, sopa, bolinhos, mingau, bolo, broa. Ainda a raiz é forragem de alto poder calórico.
Caule: é o principal órgão multiplicador da planta e presta-se também como forragem para animais.
Folhas: frescas, sob forma de fenos e de silagem prestam-se ao forrageamento de animais e até para alimentação do homem.
Necessidades da Planta:
Clima: desenvolve-se bem em climas tropicais
e sub-tropicais e é cultivada no mundo na faixa compreendida
entre 30º latitude norte e 30º latitude sul.
A planta medra em temperaturas entre 18e35ºC com faixa de 25 - 28ºC de temperatura media anual como ideal para desenvolvimento e produção. As chuvas anuais devem estar entre 1.000 a 1.500mm. com suprimento adequado de chuvas para os primeiros 90 dias de vida da planta; em alguns locais em condições especiais, a mandioca vive com menos de 600mm./ano de chuvas. A planta requer alta luminosidade para desenvolvimento e produção.
Solos: devem ter topografia plana, com boa profundidade efetiva, arenosos a argilo-arenosos, leves, frouxos, frescos bem drenados, pH entre 5,0 e 6,0. Evitar solos sujeitos a encharcamento e solos massapés. Altitude até 2.000m.
Solos encharcados ou pesados podem induzir apodrecimentodas raízes e dificultam seu desenvolvimento.
Plantio:
Material de
plantio: A escolha da variedade deve ser feita segundo
objetivo da exploração (alimentação humana, produção de
amido ou para alimentação animal). Variedades diferentes devem
ser plantadas individualmente em áreas separadas.
As manivas devem estar maduras (apresentam queda de folhas da base para o topo naturalmente), com 10-14 meses de idade. A maniva deve ter diâmetro de 2,5cm. (com medula com 50% do diâmetro), verificando-se se há fluxo de látex logo após corte (denota bom teor de umidade). Utilizar somente o terço médio da maniva.
A maniva deve ser cortada em pedaços de 20cm. de comprimento contendo pelo menos 5 a 7 gemas; o corte (com facão ou serra circular) deve formar angulo reto em relação a haste o que facilita o enraizamento.
A quantidade de maniva para o plantio de 1 hectare de mandioca é estimada entre 4,0m3. e 5,0m3. 1 hectare da cultura com 12 meses de vida, produz hastes para plantio de 4 a 5 hectares. Um metro cúbico de hastes pesa 150Kg. e pode fornecer 2.500 a 3.000 pedaços de maniva - semente com 20cm. de comprimento. -
Por fim a haste deve estar sadia, livre de pragas e doenças.
Preparo da área: àreas devem ser planas a suavemente onduladas (declividade máxima em 10%). A profundidade da aração deve ser 20cm. podendo-se utilizar a sequência gradagem - aração - gradagem.
Os sulcos de plantio devem ter 10cm. de profundidade; em terrenos sujeitos ao encharcamento efetuar plantio em camalhões.
Correção do solo / adubação básica: em aso de necessidade de aplicação de calcário não se deve aplicar quantidades acima de 1 tonelada/ha.. A mandioca parece tolerar certas condições de acidez do solo.
Aumentos de produção da mandioca tem sido devidos à adubações orgânica e fosfatada (esta indispensável para a maioria dos solos). Recomenda-se aplicação paralela de adubos contendo nitrogênio e potássio (para maior efeito do fósforo).
Calagem: efetuar 60 dias antes do plantio aplicando-se metade da dose antes da aração e a outra metade antes da gradagem incorporando a 20cm. de profundidade. Utilizar calcário dolomitico.
Adubação: Os adubos fornecedores de fósforo (superfosfatos) devem ser aplicados no sulco de plantio numa quantidade de 20 a 60Kg. de fósforo (P2O5) por hectare (110 a 330Kg. de superfosfato simples) segundo recomendação de análise de solo.
O nitrogenio (N) deve ser colocado no sulco do plantio na quantidade de 30Kg. de N, através de adubos orgânicos (6t. de esterco de curral ou 600Kg. de torta de mamona) se disponiveis. Se torta aplicar 30 dias antes do plantio.
O potássio (K2O), deve ser fracionado em solos muito arenosos aplicando-se 50% na cova junto do superfosfato (20 a 40Kg. de cloreto de potássio por hectare) e o restante em cobertura junto ao nitrogenio (30-40 dias pós plantio).
Em cerrados recomenda-se aplicar também 20Kg. de sulfato de zinco/ha., na adebação de fundação
Espaçamento: os melhores rendimentos em raízes tem sido obtidos pelo uso de espaçamentos para plantio com 1m. x 0,5m. ou 1m. x 0,6m. (fileiras simples) e 2,0m. x 0,6m. x 0,6m. ( fileiras duplas); em solos férteis o espaçamento pode ser 1,2m. x 0,6m.
Para produzir ramas para ração animal usar 0,8m. x 0,5m. Segundo necessidades da mecanização espaçamento de 1,2m. e até 3,0m.
Plantio: Planta-se mandioca em sulcos (abertos a enxada ou sulcador) ou covas (preparada com enxada) na profundidade de 10cm. Utilizando-se a plantadeira mecanizada esta sulca, aduba, planta e cobre a maniva. Em solos pesados (argilosos) e em regiões chuvosas recomenda-se preparo de cova alta ou camalhões.
Planta-se a maniva - semente nas posições horizontal (facilita a colheita) vertical e inclinada (45º); estas duas ultimas posições aumentam rendimentos em raízes mas dificultam a colheita (raízes profundas).
O plantio deve ser feito no inicio da estação chuvosa.
Consorciação:
A mandioca pode ser
plantada sozinha ou em consórcio com feijão (predominante), com
milho ou com feijão e milho. Também a mandioca é plantada com
culturas perenes.
Mandioca x feijão: (comum ou macassar).
Feijão plantado intercaladamente nas fileiras de mandioca.
Espaçamento da mandioca 1m. x 0,5m. até 2,0m. x 1,0m. e espaçamento para feijão 0,6m. x 15 sementes por metro. linear de sulco ou 0,5m. x 0,2m.
Mandioca x milho: Em geral uma a duas fileiras de milho entre as de mandioca (fileiras simples ou duplas). O milho tem espaçamento de 1m. x 0,2 ou 0,4m.
Mandioca x feijão x milho: Espaçamento entre fileiras de mandioca 1m. x 0,5m. até 2m. x 1m. com fileiras de feijão e milho alternadas, lançando-se três sementes por cova.
Para reduzir despesas na formação de culturas permanentes (citros, café, coco, dendê, banana ) usa-se consorcio com mandioca em fileiras duplas mais estreitas (0,6m. entre fileiras e 2m. entre duplas).
Tratos culturais:
Controle de ervas
daninhas: a mandioca sente muito a concorrência das ervas nos
quatro primeiros meses do ciclo (a partir de 20 dias após a
brotação) e durante 100 dias a planta deve estar livre da
interferência do mato.
O controle de ervas é feito à enxada exigindo 2 capinas no período de 100 dias ou através do emprego de cultivador mecanizado ou através do uso de herbicidas (a base de clomazone, diuron, linuron, outros).
O controle integrado - herbicida + capina mecânica - é feito aplicando-se herbicida na linha de plantio e cultivador mecanizado nas entre linhas; este tem sido o controle com custo mais baixo.
O crescimento rápido da lavoura e o fechamento da cultura é uma ação complementar - cultural - no controle de ervas.
Poda: nem sempre é recomendada. É justificável quando se necessitar material para plantios de ramas para a alimentação animal, como proteção em áreas sujeitas à geadas e no caso de alta infestação de pragas / doenças. A poda, se necessária, deve ser feita no inicio do período chuvoso cortando-se a 15cm. de altura do solo em plantas com 10-12 meses de idade. A colheita de raízes deve ser feita 4 a 6 meses após a poda.
As manivas podem ser conservadas em local fresco, com umidade moderada, sombreado, protegido de ventos. As estacas com 0,8m. a 1,2m. podem ser dispostas verticalmente (enterradas cerca de 10cm. em solo fofo e úmido), ou horizontalmente (quando as estacas devem conservar a cepa).
Adubação em cobertura: trinta a quarenta dias após o plantio procede-se, em plantios comerciais, a adubação em cobertura com 30Kg. de N (ureia 65Kg. ou sulfato de amonio 150Kg. por hectare) seguindo-se leve incorporação.
Pragas:
Mandarová:
Praga de grande importância para a cultura. Lagartas consomem
enormemente as folhas nos primeiros meses do cultivo. As lagartas
podem ter cores verde, castanho escuro, amarela, preta.
Controle: boa preparação do terreno e controle adequado de ervas podem reduzir a população do inseto. Em plantios pequenos costuma-se catar as lagartas; inseticida biológico à base do Bacillus, Thuringiensis, é eficaz contra a lagarta até o seu 3º instar (3,5cm. de comprimento). Outro agente biológico para o controle é o Baculovirus erinnyis preparado com lagartas doentes encontradas no mandiocal.
Percevejo de renda: praga que ocorre na época seca; o adulto é de cor cizenta e o jovem de cor branca. São encontrados sugando a face inferior das folhas baixeiras e medianas. Pontuações amarelas que se tornam marrom-avermelhadas na folha são sinais da presença do inseto.
Controle: uso de variedades resistentes ou tolerantes ao percevejo e uso de inseticidas fosforados (dispendioso).
Mosca-branca: os adultos são encontrados na face inferior das folhas da parte superior da planta que sacudida, faz as moscas voarem. O inseto suga a seiva deixando as folhas amareladas e encrespadas e cobertas com substância escura (fumagina). Folhas podem secar e cair.
Controle: uso de cultivares resistentes ou tolerantes e uso de inseticida sistemico - à base de dometoato - (altas populações).
Ácaros: pragas mais severas que atacam a mandioca e encontrados em grande número na face inferior da folha, notadamente na época seca. Os ácaros mais importantes são o ácaro verde (tanajoá) e o ácaro rajado.
O verde suga a seiva de folhas em brotação no alto da planta deixando pontuações amarelas nas folhas (que se deformam).
O rajado tem preferência pelas folhas na parte media e basal da planta, sugam a seiva deixando pontos amarelos na base da folha e ao longo da nervura central.
Controle: umidade relativa alta e contínua da e chuvas ajudam a reduzir as populações das pragas; o uso de variedades resistentes e/ou tolerantes, destruição de outros hospedeiros, destruição de restos de cultura são também ações de controle.
Formigas: podem atacar as folhas e gemas desfolhando a planta; a perda das folhas reduz teor de amidos. O ataque da formiga dá-se nos primeiros meses do ciclo (vida) da mandioca. Logo que se observa folhas cortadas iniciar o controle pelo uso de formicidas granulados (iscas) colocadas ao longo dos "caminhos" das formigas (épocas secas) ou fumigação de formigueiros (época chuvosa).
Doenças:
Bacteriose: doença mais importante da mandioca,
é fator limitante da produção. Murchas das folhas novas,
seguida de morte da planta além do escurecimento e obstrução
dos vasos são sintomas. Manchas angulares aquosas também
aparecem e que resultam em coloração parda da folha.
Controle: uso de material sadio no plantio, uso de variedades resistentes ou tolerantes, rotação de cultura, evitar transporte de material contaminado para áreas sem a doença.
Antracnose: Doença por fungo que provoca morte dos ponteiros das hastes que mostram lesões elipticas com pontuações róseas na região central. Em plantas jovens a doença causa seca descendente das hastes.
Controle: uso de variedades tolerantes, poda da parte afetada e aplicação de fungicida à base de mancozeb ou cobre.
Podridão das raízes: causada por vários fungos de solo que podem atacar a cultura ao longo do ciclo. Podridão mole (com odor forte), podridão seca (cor negra), falhas na germinação são sintomas da doença.
Controle: uso de variedades tolerantes, seleção rigorosa do material de plantio, cultivo em sistema de camalhão, rotação de culturas.
Superbrotamento: o sintoma básico é brotação excessiva na região das gemas (dezenas de brotos saindo de um só ponto). Esses brotos são raquíticos e finos com cor amarelada (ataque severo). Pode comprometer quase que totalmente a produção de raízes, de farinha, de ramas para plantio.
Controle: evitar introdução de material doente em áreas sem a doença, eliminar plantas doentes dentro da lavoura. Selecionar material sadio para o plantio e uso de variedades tolerantes.
Colheita:
Operação que onera os custos de produção;pode ser feita com
as mãos ou com auxílio de ferramentas (enxada, enxadeta e
picareta). A poda das ramas a 20 a 30cm. de altura do solo é
seguida pelo arranquio das raízes. Um homem colhe de 800 a
1.000Kg. de raízes em 8 horas de trabalho. Existem equipamentos
mecanizados para a colheita da mandioca.
Colhidas as raízes devem ser amontoadas em locais dentro da lavoura e serem apanhadas em, no máximo, 24 horas e transportadas em cestos, caixas, sacos, grades de madeira para local de beneficiamento.
Para indústria ou alimentação animal indica-se a colheita na segunda fase do ciclo (maior produção de raízes e amido).
De ordinário o ciclo das variedades indica época de colheita.
Os aipins para consumo humano podem ser colhidos entre o 8º e 10º mês do ciclo. A produção de raízes é de 10 a 25 toneladas por hectare podendo chegar a 45 toneladas.
Conceição, Antônio
José da
A Mandioca
Cruz das Almas / Ba - 1979
EMBRAPA
Instruções práticas para o Cultivo da Mandioca
Circular Técnica nº 19 - Maio 1993
Cruz das Almas / Ba
Editora Abril
Guia Rural Plantar
São Paulo - 1991
Editora Agronomica Ceres
Manual de Entomologia
São Paulo - 1978
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