Secretaria de Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária
Aspectos Gerais:
Tornou-se conhecido em
1875 na Califórnia (EUA) com origem provável em Tahiti;
estabeleceu-se, definitivamente, no sul do estado da Flórida.
Entre os principais produtores mundiais de limas ácidas encontram-se o México, Estados Unidos da América, Egito, Índia e Brasil.
No Brasil, com plantios acima de 40 mil hectares, o limão Tahiti tem grande importância comercial; os estados maiores produtores são: São Paulo com 70% e Rio de Janeiro com 8% da produção nacional.
A Bahia, situada entre os cinco maiores produtores nacionais, tem as regiões econômicas do Litoral Norte e Recôncavo Sul como maiores produtores do limão Tahiti. Sua área plantada está acima de 1.000 hectares (1990).
Botânica/Descrição/Composição:
- O limão Tahiti é
propriamente uma limeira ácida conhecida por Citrus latifolia,
(Tanaka), Dicotyledonae, Rutaceae.
- Com porte médio a grande a planta é expansiva, curvada, vigorosa; as folhas adultas têm cor verde e são lanceoladas e as folhas novas e brotos tem cor purpurea. A floração ocorre ao longo do ano (principalmente setembro e outubro); os frutos são ovais, oblongos ou levemente elípticos, casca fina, superfície lisa e cor amarelo-pálida na maturação. Estão maduros em torno de 120 dias após a floração; as sementes são raras ou ausentes.
- O suco representa 50% do peso do fruto; tem teores médios de 9% (brix), acidez em 6%, 20 a 40 mg de ácido ascórbico (Vit. C).
Usos do Limão Tahiti:
- O suco do limão Tahiti
é usado em culinária, na limpeza e preparo de alimentos
(carnes, massas, bolos, confeitos) e no preparo de refresco -
limonada.
- Em medicina caseira o fruto é utilizado como auxiliar no tratamento de gripes e deficiência de Vit. C.
- Óleo da casca do fruto é aromático.
Necessidades da Planta:
Clima - Temperatura deve estar entre 26 e 28ºC
(25 a 31ºC) as chuvas em torno de 1.200 mm anuais
(1.000 - 2.000) bem distribuídos (120 mm mensais), a umidade relativa do ar entre 70% e 80%. Em locais com ventos fortes tutorar a planta.
Solos - Solos mais adequados para o limão Tahiti são os leves, bem drenados, arejados, profundos, sem impedimento para penetração da raízes. Solos areno-argilosos (de arenoso a levemente argiloso) são preferidos, pH entre 5,5 e 6,5. Topografia plana a levemente ondulada.
Implantação do Pomar:
Mudas - Devem resultar de enxertos sobre limão
Cravo ou limão Rugoso que proporcionam crescimento rápido, boa
produção, frutos de qualidade e maior tolerância à seca
embora sensíveis à podridão radicular.
Os enxertos sobre tangerina Cleopatra são aceitáveis. A muda, de indiscutível qualidade, deve ter procedência e sanidade garantidas, enxertia feita a 25-30 cm de altura, possuir três a quatros ramos (galhos) a 60 cm do solo e raízes desenvolvidas, sem estarem enoveladas.
Preparo da área:
Consiste na roçagem
destoca e enleiramento do mato; essas operações devem ser
feitas 5-6 meses antes do plantio.
Em seguida efetuar aração e gradagens; em caso de aplicação de corretivo do solo em área total aplicar metade da dose antes da aração e a segunda metade antes da 1ª gradagem.
Marcação/Espaçamento:
Nivelado o terreno
efetua-se a marcação da área; para o Nordeste do Brasil
adota-se os espaçamentos de 7,0m x 6,0m e 7,0m e 5,0m. Em
plantios extensos dividir o pomar em talhões de 10.000 a 20.000
plantas (quadras de 3.000 a 5.000 plantas) com corredores para
caminhões.
Coveamento/Adubação:
As covas podem ser abertas
à mão ou com implementos, devem ter dimensões 40 cm x 40 cm x
40 cm a 60 cm x 60 cm x 60 cm; na abertura separar a terra dos
primeiros 15-20 cm de altura.
- Em caso de não haver recomendações (decorrentes de análises de solo) para calagem e adubação, aplicar 1 kg de calcário dolomitico ao fundo de cada cova cobrindo-o com um pouco de terra; misturar 50 g de cloreto de potássio com 200 g de super fosfato simples e 10 litros de esterco de curral bem curtido à terra separada e lançar em cada cova.
Plantio:
O plantio deve ser feito
em horas frescas do dia ou em dias nublados com o solo úmido.
Deve -se usar régua de plantio para bom alinhamento. Ajusta-se a
muda na cova de modo que o colo da planta fique ligeiramente
acima do nível do solo e os espaçamentos entre raízes cheios
com terra. Após plantio fazer uma "bacia" em torno da
muda regar com abundância sem encharcar e cobrir solo com capim
seco (sem sementes) ou com palha.
Tratos Culturais:
Controle
de Ervas Daninhas - O
cultivo do solo, controle de ervas pode ser feito com grade (2
operações/ano) na época seca e com ceifa do mato na época de
chuvas. Em cultivos irrigados no semi-árido usa-se roçadeira
nas entrelinhas e herbicidas na projeção da copa. As plantas
devem ser "coroadas" sempre que houver mato alto (com
enxada).
Irrigação:
A irrigação aumenta a
produção e eleva a qualidade do fruto; no semi-árido a
irrigação é indispensável. Os sistemas de irrigação mais
utilizados são os de aspersão e o de irrigação localizada
(gotejamento, microaspersão) que aplica água em geral abaixo da
copa da planta. Sulcos, bacia de inundação temporária são
outros métodos. Nos cerrados maiores produtividades foram
obtidas utilizando-se sistema de gotejo a cada metro (120 l
água/planta em turnos de rega de 4 dias). Em regiões úmidas a
irrigação pode elevar a produção em 35% a 75%.
Culturas intercalares:
Cultivo intercalar é
prática em pequenas/médias propriedades; pode-se usar
leguminosas (feijão de porco, leucena, crotalaria) ou abacaxi,
amendoim, batata doce, feijão, mandioca, milho, no pomar jovem
do limão Tahiti.
As culturas intercalares devem ter baixo porte e ciclo curto, e situar-se a distância de 1,5 - 2 m da linha de plantio do limoeiro.
Podas:
Devem reduzir-se à
eliminação de galhos secos, doentes ou praguejados e nascidos
abaixo do ponto de enxertia.
Adubação:
60 dias após plantio
recomenda-se aplicar 50 g de uréia/planta repetindo-se 30-40
dias após.
A partir do 2º ano recomenda-se as seguintes doses, em gramas/planta (para a Bahia):
Anos
Ureia
Março Julho
Super Simples
Março
Cloreto Potássio
Março Julho
2º 100 100 200
- - 3º 150 150 300
- - 4º 200 200 400
40 40 5º 250 250 500
200 200 6º 250 250 500
200 200 7º 350 300 650
250 200 8º 350 300 650
250 200 9º (diante) 500 500 1.000
300 250
Para deficiências de zinco e manganes recomenda-se pulverizações foliares com solução composta de 300 g. de sulfato de zinco, 300 g. de sulfato de manganes, 300 g. de cal em 100 litros de água.
Pragas:
Orthezia: Orthezia praelonga (Doug., 1991)
Homoptera, Ortheziiae.Também chamada cochonilha de placas; tem
corpo provido de placas ou lâminas cereas com cauda alongada que
acumula ovos; eficiente sugador o inseto injeta toxina na planta
ao sugar a seiva e sua excreção estimula aparecimento da
"fumagina" (cobertura escura) nas folhas. Mudas, vento,
vestimentas disseminam o inseto. A praga é mais prejudicial no
período seco e expolia a planta, atacando folhas e frutos.
O controle é efetuado pela aplicação de inseticidas sistemicos granulados aplicados ao solo em torno da planta a 10 - 15 cm de profundidade. Observar o período de carência do produto químico. Entre os indicados cita-se aldicarb, dissulfoton, carbofuran.
Escama-Farinha: Pinnaspis aspidistrae (Sing, 1869) Homoptera, Diaspididae.Cochonilha com carapaça, ataca tronco e ramos que apresentam coloração esbranquiçada. A sucção da seiva da planta pelo inseto causa rachadura na casca e facilita a penetração de agentes de doenças (gomose).
Controle via pincelamento de tronco e ramos com o seguinte preparo: 1 Kg (enxofre molhável), 2 Kg de cal, 0,5 Kg de sal de cozinha, 15 g. de diazinom ou 35 g. de malatiom e 15 litros de água.
Ácaro-da-Ferrugem: Phyllocoptruta oleivora (Aslm. 1879), Acari, Eriophyidae.Infesta folhas, ramos e frutos causando nestes cor prateada à casca além de àspecto aspero; os frutos apresentam tamanho, peso e percentagem de suco reduzidos. As folhas podem desenvolver doença (mancha de graxa). Em infestação severa há queda acentuada de folhas e frutos.
Controle, efetuar controle quando 10% de frutos apresentarem 30 ou mais acaros. Acariciadas à base de dicofol, quinometionato ou enxofre molhável são indicados para o controle.
Coleobroca: Cratosomus flavofasciatus (Guerin, 1844) Coleoptera, Curculionidae.Inseto adulto é besouro preto com faixas amarelas no tórax e asas. Ovos são depositados no tronco e ramos; a lagarta esbranquiçada penetra, cava galerias no sentido longitudinal e expele serragem, em forma de petalas, pelo orifício de entrada.
Controle feito pela injeção de calda inseticida via orifício utilizando-se formicida liquido, gasolina, querosene, ou pasta de fosfeto de alumínio (que libera gás). Após aplicação fechar orifício com cera de abelha, argila ou sabão.
Cochonilha Cabeça de Prego: Crysomphalus ficus (Aslmd., 1880) Homoptera, Diaspididae.Importante na fase jovem do pomar a cochonilha tem forma circular, convexa, cor violácea. Períodos secos com alta temperatura favorecem a multiplicação do inseto. Localiza-se na face inferior das folhas e nos frutos, suga seiva e liquídos e deprecia os frutos comercialmente.
Seu controle é feito por pulverizações com produtos químicos à base de óleo mineral a 1% ou óleo mineral + inseticidas fosforados (diazinom, malatiom, paratiom).
Doenças:
Causadas por vírus, fungos, bacterias e distúrbios
fisiológicos.
Tristeza:
(Vírus)
Planta apresenta redução no crescimento já nos viveiros. Em
galhos ou ramos, retirando-se sua casca, observa-se caneluras
(riscos). Folhas novas com nervuras polidas e frutos com diametro
reduzido (coquinhos).
Controle: uso de borbulhas vindas de plantas imunizadas.
Exocorte:
(Vírus)
Crescimento limitado, vegetação esparsa e folhas com
coloração de pouco brilho. Doença transmitida por enxertia ou
ferramentas contaminadas (canivete, tesoura de poda).
Controle: uso de borbulhas comprovadamente sadias.
Gomose: (fungo)
Doenças das mais prejudiciais em regiões tropicais úmidas;
lesões pardas aparecem na base ou colo da planta, nas raízes e
galhos baixos, com exsudação de goma pelo fendilhamento. Mais
adiante ocorre apodrecimento dos tecidos.
Controle: usar variedades resistentes, enxertia alta, facilitar
aeração da base da planta e drenagem do terreno, usar de
fungicidas sistémicos (fosetyl-Al) em pulverizações ou
pincelamento do tronco.
Declínio:
(distúrbio fisiológico)
Murchamento irreversível da folhagem, demonstração de
deficiência de manganês e zinco em níveis elevados, sem
brotações; depois há queda de folhas, morte de ponteiros.
Controle: uso de porta-enxertos diversificados.
Colheita:
O material deve ser:
sacola de colheita (20 kg), feita de lona com fundo falso, cestos
e caixas plásticas para 27 kg. Evitar retirar frutos com varas
ou ganchos, frutos molhados ou orvalhados, derrubar frutos ao
solo, frutos excessivamente maduros ou verdes. Usar tesoura
cortando o pedúnculo, rente ao cálice. Não machucar os frutos
na colheita e transporte.
Produção:
Precoce, a limeira ácida
Tahiti apresenta produção significativa a partir do 3º ano de
vida; no Recôncavo Baiano um pomar aos 4 anos produz produz
107.000 frutos hectare (300 frutos por planta). Aos 11 anos de
vida a produção alcança 1.128 frutos/planta (113 kg) ou
403.000 frutos/hectare.Pomares paulistas produzem 8-15 kg/planta
(3º ano), 64 a 86 kg/planta (5º ano) e 98-117 kg/planta (7º
ano).
EMBRAPA - CNPMF
Limão Tahiti - Aspectos Econômicos e Técnicas de
Cultura
Circular Técnica nº 13, jan/1991
Cruz das Almas - Bahia
EDITORA AGRONÔMICA CERES
LTDA
Manual de Entomologia Agrícola
Domingos Gallo e Talli
São Paulo, SP - 1978
EMBRAPA - SPI - FRUPEX
Lima Ácida "Tahiti" para Exportação
Brasília - DF - 1993
SECRETARIA DA AGRICULTURA
DA BAHIA
Frutas: A Caminho de um Grande Mercado
Salvador - Bahia - 1996
EDITORA ABRIL S/A
Guia Rural Plantar - 1991
São Paulo - SP
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