Secretaria de Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária
Aspectos Gerais:
Tem-se como
origem da gravioleira as terras baixas da América Tropical e
vales peruanos; conhecida como guanábano (língua espanhola),
soursop (lingua inglesa) e corossolier (língua francesa) é
fruta tropical importante nos mercados da America Tropical sendo
a Venezuela o maior produtor sul-americano. A sua importancia
comercial no Brasil é pequena apesar da demanda crescente pela
polpa do fruto no país, no Oriente Médio e na Europa (Alemanha
e Espanha). No Nordeste brasileiro o município cearense de
Trairi mantém plantios organizados dessa fruteira.
Botânica/Descrição/Variedades:
A gravioleira
é conhecida como Anona muricata, L, Dicotiledonea, Anonaceae.
Tem hábito de crescimento ereto, pode alcançar 4 a 8 m. de
altura quando adulta, abundante sistema radicular, caule único
com ramificação assimétrica. As flores são perfeitas,
hermafroditas, verde-escuras a verde-claras. O fruto - graviola -
também conhecido como jaca-de-pobre, jaca-do- pará,
coração-de-rainha, araticum manso, é uma baga composta
(sincarpo) com peso oscilando entre 0,4 Kg. a 10 Kg, comprimento
médio em 30 cm. e formato de coração; a casca tem espículas
carnosas moles e é verde-clara na colheita. A polpa é branca
sucosa. A semente com 1 a 2 cm. de comprimento, peso 0,59 g. (170
sementes/100 g.) é preta na sua retirada do fruto passando a
marrom dias após; de ordinário encontra-se 100 sementes por
fruto.
A composição de 100 g. de polpa é: 60 calorias, 1 g. de proteina, 24 mg. de cálcio, 28 mg. de fósforo, 0,5 mg. de ferro, 20 mmg. Vit. A, 0,07 mg. Vit. B1, 0,05 mg. Vit. B2, 26 mg. Vit. C.
- No Nordeste brasileiro predomina o tipo de graviola nordestina ou crioula ( com frutos cordiformes, pesando entre 1,5-3,0 Kg., polpa mole, doce a sub-ácida).
A EMBRAPA/CPAC (Cerrado) introduziu no país gravioleiras colombianas (1981); dentre elas sobressae-se a Morada (que produz 40 Kg. de polpa/planta/ano, frutos grandes - 3 a
10 Kg. - redondo a cordiforme, polpa firme, sabor sub-ácido; a planta é tolerante ao ataque de brocas).
Usos da Gravioleira:
Planta: Alcaloides, como a anonina e a muricuna,
são extraídos da casca do tronco, das folhas e das sementes;
são destinados à produção de inseticidas.
Fruto: A polpa é consumida ao natural, com açúcar ou compondo refrescos, sucos e sorvetes apesar de ser de difícil digestão (1,8% de celulose).
Prestando-se bem ao processamento a polpa é utilizada na indústria para produção de sucos concentrados, polpas congeladas, nectar, geleias, cremes, bebidas (Cuba), diuréticos e xaropes anti-escorbuticos.
Necessidades da Planta:
Planta
originária de regiões de clima tropical a gravioleira também
desenvolve-se em regiões de clima sub-tropical e tem boa
adaptabilidade ao Nordeste brasileiro.
Clima:
Requer
temperatura média anual entre 25ºC a 28ºC (21-30ºC sem quedas
abaixo de 12ºC), chuvas acima de 1.000 mm./ano bem distribuídos
(100 mm./mês), com período
seco na frutificação, umidade relativa do ar entre 75 e 80%. A
região quente do semi-árido nordestino, com irrigação artificial,
induz boa vegetação e produção à gravioleira.
Solos:
A planta
adapta-se a diferentes tipos de solo mas prefere aqueles
profundos, bem drenados, ricos em materia organica, ligeiramente
ácidos - Ph entre 6,0-6,5 - não sujeitos a encharcamento e
argilo-arenosos. Os solos de aluvião, bem drenados, prestam-se
bem à graviola.
Propagação/Formação
de Mudas:
A propagação
da gravioleira é feita através de processos assexuados -
alporquia, estaquia, cultivo de tecidos e enxertia (garfagem - o
comercial) - e processo sexual - via sementes.
Para qualquer dos processos a planta matriz - fornecedora de ramos de tecidos, de gemas ou de sementes - deve ser vigorosa, precoce, sadia, e de boa produção. As sementes devem ser obtidas de frutos maduros e sadios e elas devem ser integras e vigorosas.
Mudas para
formação de pomares comerciais:
Enxertos -
devem ser obtidas de produtores de mudas credenciados por
organizações oficiais. Para pomares caseiros pode-se preparar
mudas (via sementes) na propriedade rural.
Preparo de mudas via sementes:
Vinte quatro
horas antes do semeio a semente é colocada em água fria para
quebra de dormencia. Sacos de polietileno com 35 cm de alturaX22
cm de largura e 0,2 mm de espessura, recebem 6 a 8 L de mistura
formada de 2 partes de terra areno-argilosa e uma de esterco de
curral bem curtido. Para cada m3 da mistura adicionar
200 g de calcário dolomítico, 200 g de cloreto de potássio e
250 g de superfosfato simples. A 2 cm de profundidade coloca-se 2
a 3 sementes por saco e irriga-se; entre 20 e 35 dias (até 60
dias) dá-se a germinação. Os sacos são dispostos em fileiras
duplas distantes de 60 cm entre si e cobertos com sombrite ou
folha de palmeira (50% de luz). Plantinhas com 5 a 10 cm de
altura são desbastadas deixando-se a mais vigorosa. 4 a 5 meses
pós semeio, muda com 30 a 40 cm de altura estará apta ao
plantio definitivo. Para controle de pragas e doenças pode-se
utilizar maeatiom 50 CE e oxicloreto de cobre 50 PM, em
pulverizações de 10 em 10 ou de 15 em 15 dias. A partir do 3o
mês permitir paulatinamente, a entrada de mais luz no viveiro.
Manter solo no saco úmido, sem exagero.
Instalação do Pomar
Preparo
do solo: passa por derrubada, destoca, encoivaramento e
queima (se área de mata); controle de cupins e formigas
completam 3 meses antes do plantio efetuar aração (30 cm de
profundidade) e uma a duas gradagens. Em caso de correção de
solo, aplicar calcário antes da aração (metade da dose) e
antes da 1o gradagem (outra metade).
Espaçamento/densidade: O espaçamento varia de 4 m X 4 m (625 plantas/há), a 8 m a 8 m(156 plantas/há). A variação deve-se do porte da planta, topografia do terreno, fertilidade, plantio consorciado ou não, definitivo ou temporário, condições climáticas... . Em terreno plano utiliza-se 6 m X 6 m (quadrado) , em área pouco acidentada 6 m X 6 m (triângulo); em solo fértil, rico em matéria orgânica 8 m X 8m e sob clima trópical úmido 6 m X 6 m ou 7 m X 7m .
Coveamento/ adubação básica: Covas devem ter dimensões 60 cm X 60 cm e ser abertas 60 dias antes do plantio separando terra dos primeiros 20 cm. No fundo da cova coloca-se mistura de parte da terra separada com 20 L de esterco de curral curtido e, 200 g de calcário; enche-se a cova com outra metade da terra separada mais 600 g de superfosato triplo, 200 g de cloreto de potássio e 200 g de calcário dolomítico.
Plantio: Deve ser feito em terrenos com altitude abaixo de 1.200 m, próximos a estradas, em áreas planas a levemente onduladas. No início da estação chuvosa efetua-se o plantio. Retira-se o fundo do saco, leva-se a muda à cova onde retira-se o resto do saco ao tempo em que se chega terra ao torrão comprimindo-a; a superfície do torrão deve ficar 2 cm acima do solo. Prepara-se uma bacia com 10 cm de altura a 30 cm do caule com 20 cm de palha seca. Irriga-se com 20 L de água e, em caso de ventos, tutora-se a muda (estaca enterrada ao lado que amarra a muda).
Tratos Culturais
- Manter
cultura livre de ervas invasoras roçando as ruas de plantio e
capinando em coroamento (projeção da copa da planta.
- Poda de formação: cortar broto terminal a 60 cm do solo e selecionar 3-4 brotos bem distribuídos nos últimos 20 cm de altura do caule para formação da copa (não permitir altura acima de 2,2 m).
- Poda de limpeza - Eliminar ramos indesejáveis, ramos secos, doentes ou praguejados.
- Adubação em cobertura: No início das chuvas aplica-se 15 litros de esterco de curral. A cada 3 meses aplicar 1 Kg da fórmula 10-13-15/planta, incorporando a 10 cm de profundidade numa área com limites 1/3 para dentro a 1/3 para fora do limite da copa.
- Crê-se que a necessidade de água/dia da gravioleira está entre 3,5 e 4,0 mm:
Consorciação:
Como cultura
secundária pode-se consorciar-se à mangueira; como cultura
principal, aceita leguminosas (feijão, amendoim, soja) ou milho,
abobora, batatinha.
Pragas:
Broca-do-Tonco
: Cratosomus Sp. Coleoptera, Curculionidae; O inseto adulto é um
besouro convexo de cor quase preta; a forma jovem, lagarta
(broca), é branca, com cabeça escura, sem patas. A femêa
ovipõe em orifício que faz na casca; a lagarta, saindo do ovo,
penetra na madeira abre galeria no tronco e expele dejeções
pelo orifício. O sinal do ataque é a presença de excrementos e
exsudação pegajosa no tronco.
Controle: injeção via orifício, de inseticida DDVP (10 ml. /10
litros de água).
Broca-do-Fruto
: Cerconata anonella (Sepp.1830) Lepidoptera, Stenomidae. - O
adulto é mariposa branca-acinzentada com 25 mm. de envergadura
que põe ovos sobre flores e pequenos frutos. O jovem (lagarta),
cor de rosa ou verde-pardo, roe a casca do fruto penetrando para
seu centro, destroe a polpa e aloja-se na semente. Frutos
atacados apodrecem e caem.
Controle: queimar frutos atacados (planta e chão), pulverizar
frutos com inseticida triclorfom 50 SC (Dipterex a 0,2%) ou
fentiom 50 CE (Lebaycia a 0,15%) a cada 10 dias. Ainda usa-se
ensacamento do fruto com saco de papel parafinado.
Com outras pragas cita-se vespa-da-semente (Bephrateloides), moscas-das-frutas (Ceratitis, Anastrepha), lagarta-das-flores (Thecla) e tripes-do-fruto (Heliothrips) que podem ser controlados com paratiom, carbaryl, malatiom e fentiom.
Doenças:
Em
Viveiro:
Tombamento de Plantinha - (fungos Rhizoctonia, Fusarium) -
Agentes atacam colo e raízes das plantinhas tombando-as.
Controla-se, preventivamente, tratando a terra para enchimento
dos sacos com brometo de metila.
Como tratamento pós germinação, pulverizar colo das plantinhas
com benomyl 50 PM (Benlate a 0,1%).
Em Campo:
Antracnose: fungo Colletotrichum gloeosporioides Penz. - Fungo
ataca ramos novos, flores e frutos pequenos provocando sua queda
(umidade relativa e temperatura altas).
Controle: oxicloreto de cobre 50 PM (200 g. / 100 l. água) ou
benomyl 50 PM (150 g. / 100 l. água) em pulverizações
intercaladas de 10 em 10 dias.
Podridão Parda: fungo Rhizophus stolonifer Sac. - Fungo ataca flores e frutos, - na colheita e pós-colheita, penetrando através do penduculo causando podridão da polpa seguindo-se a mumificação do fruto.
Colheita / Rendimento:
Gravioleiras
provenientes de sementes iniciam a floração no 3º ou 4º ano
pós-plantio e as enxertadas já no 1º ano de vida. A produção
comercial aos 3 e 5 anos; ela permanece por 10 a 15 anos.
Sugere-se que os frutos sejam colhidos logo que a coloração da
casca passar do verde escuro para o verde-claro (perda do brilho
da casca e polpa levemente mole se comprimindo o fruto com dedo).
Após colheita o fruto é colocado em pratileiras em ambiente com
22ºC de temperatura e 40-50% de umidade relativa. Seis dias
após o fruto estará comestível durando 2-3 dias.
Tem sido registradas produções de 32 t. de frutos/há. (384
plantas de 6 anos - Havai), 10 t. /há (238 plantas de 8 anos) de
gravioleiras.
Editora Abril
S/A 1991
Guia Rural Plantar
São Paulo
Empresa
Pernambucana de Pesquisa Agropecuaria
Instruções Técnicas do IPA 13 Fevereiro/83
Cultivo da Gravioleira
Recife-Pe.
Embrapa - SPI
Graviola para Exportação
Brasília, DF, 1994
Editora
Agronómica Ceres Ltda
Manual de Entomologia Agricola
São Paulo - 1978
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