Secretaria de Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária
Aspectos Gerais:
Planta
originária da América Tropical (sul da América Central e norte
da América do Sul). Brasil foi (1980) o terceiro produtor
mundial de goiaba; São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco
responderam, juntos, por 74% da produção anual. Hoje há uma
área acima de 3.000 ha plantados com goiabeira no Vale do São
Francisco (Ba). França, Grã-Bretanha, Dinamarca, Canadá,
Suécia, Holanda e Alemanha Ocidental (1988) são países
importadores da goiaba brasileira in natura. Em 1989, o Brasil
exportou 370t de goiaba e em 1992 180t.
Aspectos
Botânicos/Variedades:
- A goiabeira
pertence a família Myrtaceae, gênero Psidium com a espécie
Psidium guajava L. destacando-se comercialmente.
- É um arbusto ou árvore de pequeno porte que pode atingir 3 a 6 m de altura, tronco tortuoso, folhas opostas que se desprendem do ramo quando amadurecem. As flores são brancas, hermafroditas, isoladas ou em grupos de 2 ou 3, situando-se nas axílas das folhas e nas brotações de ramos maduros. A fecundação provém de polinização cruzada (abelha/Apis principal polinizador). Fruto é baga com tamanho, forma e coloração de polpa variada. Verdoengo o fruto tem poder adstringente.
- A composição por 100 g de polpa é calorias (58), proteína (1 mg), cálcio (15 mg), Fe (1 mg), Vit. A (0,06 mg), Tiamina (0,05 mg), Vit. C (200-300 mg), Fósforo (26 mg).
Variedades para o Nordeste e exportação:
White Selection of Florida (IPA-PE): frutos arredondados, com 130 g de peso e polpa coloração branca.
Pentecostes (IPA-PE): frutos piriformes, peso médio 196 g e polpa de coloração amarelada.
Ogawa Branca: planta vigorosa, de boa produtividade, frutos com 300-700 g de peso, ovalados, polpa espessa muito doce.
Para a Bahia: pesquisa recomenda a ruby Supreme, FEFT e Webber supreme, thai large e FAO-1. Para o Recôncavo baiano as variedades branca, são-josé e creme arredondada.
Folhas: o chá preparado com elas é utilizado para combater desinterias em medicina caseira.
Fruto (goiaba): in natura e maduro é saboreado fresco, sob forma de refrescos, de sucos, sorvetes; processada a polpa entra na confecção de doces (de corte, em calda, em pasta), sucos concentrados, polpa congelada, geléias, compotas.
O fruto tem grande importância alimentar e elevado teor em ácido ascórbico. Dizem que a polpa dos frutos vermelhos é apropriada para a indústria mas, também, é consumida fresca pelo homem. A goiaba é dos bons fornecedores de Vitamina C.
Clima: nativa de região tropical a goiabeira vegeta e produz bem desde o nível do mar até 1.700 m de altitude.
Temperatura: abaixo de 12ºC a planta não vegeta; a temperatura ideal para vegetação e produção situa-se entre 25 e 30º C. Em clima frio, nublado ou chuvoso botões florais não se abrem.
Chuvas: A goiabeira requer precipitação anual bem distribuida de 1.000 mm embora medre com chuvas 800 mm e 1.500 mm/anuais. Em regiões onde a estação seca prolonga-se por 5 meses ou mais a goiabeira produz uma só safra.
Umidade Relativa: A faixa mais favorável está entre 50% e 80%.
Solos : Rústica, a goiabeira adapta-se aos mais variados tipos de solo, evitando-se os solos pesados e mal-drenados e excessivamente argilosos ou arenosos, rasos ou muito ácidos.
Os areno-argilosos profundos, bem drenados, ricos em matéria-orgânica, pH 5,5-6,0 e protegidos de ventos ou do frio são preferidos pela a goiabeira.
Propagação/Formação
de Mudas:
- A goiabeira
pode ser propagada por sementes (para pomares domésticos) e por
enxertia - borbulhia de placa em janela aberta - para formação
de pomares comerciais e por estaquia.
- As sementes devem ser obtidas de frutos fisiologicamente maduros e autofecundados. As plantas fornecedoras dos frutos devem ser sadias, produtivas e com raízes vigorosas. Descartar frutos fora de padrão e com problemas físicos ou fitossanitarios. Frutos selecionados são seccionados ao meio para separar a polpa das sementes; em seguida as sementes são lavadas em água corrente e colocadas a secar sombra sobre jornal por 48 horas. Secas podem ser tratadas com fungicida para plantio em seguida ou serem acondicionadas em saco plástico para armazenamento em até 12 meses (refrigeradas). Um grama pode conter sessenta sementes (média).
A semeadura pode ser feita em canteiro de terra - sulcos rasos espaçados de 15cm. - ou sacos de polietileno preto com furos, com domensões 18cm. x 30cm.; o substrato para enchimento dos sacos deve ser mistura de terra, esterco bem curtido e areia lavada na propoção de 5:3:1. Em cada saco colocar 3 a 4 sementes; quando as plantas apresentarem 3 a 4 pares de folhas devem ser desbastadas deixando aquela mais vigorosa. Quando a muda tiver 25cm. de altura pode ser levada ao campo (pé franco) ou para enxertia em viveiro.
A enxertia é feita em tempo quente e chuvoso em porta-enxertos com 1 ano de idade, com 1cm. de diâmetro, feito a 15cm. de altura. Alcançando 35cm. de altura a muda enxertada é lavada para plantio em campo. Sugere-se aquisição de mudas enxertadas a viveiristas credenciados por órgãos oficiais.
As estacas de madeira verde são plantadas 2cm. de profundidade, enraizam em 60 a 70 dias. São transferidas para saco plástico com 3,5l. de volume (sob repado) até o plantio em campo - 6 meses pós estaqueamento.
Formação do Pomar:
Preparo do
Solo: compreende roçagem, destoca, aração, gradagem;
aração profunda seguida por 2 gradagens a 3 meses antes do
plantio. Em caso de necessidade de calcario aplicar metade antes
e metade após a aração.
Marcação do terreno, coveamento, adubação básica:
Os traçados de plantio em retângulo e em quinconcio são os mais usados; em áreas irrigadas e em retângulo, os espaçamentos de plantio são 8m. x 5m. ou 6m. x 5m. ou com maior densidade. De um modo geral utiliza-se espaçamento de 7m. x 7m. e as covas devem ter 60cm. x 60cm. x 60cm., abertas com ferramentas manuais ou trados tratorizados.
A adubação básica é feita pela aplicação de mistura contendo 15 litros de esterco de curral bem curtido, 500 gramas de superfosfato simples e 100 gramas de cloreto de potássio 30 dias antes do plantio misturar, esses ingredientes à terra de superficie separada na abertura da cova. Colocar 300g. de calcario dolomitico no fundo da cova.
Plantio:
O plantio deve
ser feito no início da estação chuvosa, em dias nublados e
frescos; retirar envoltório de plástico e colocar torrão na
cova de tal forma que o colo fique ligeiramente acima do solo.
Efetuar rega abundante se não tiver ocorrido chuvas e amarrar a
planta, com fita plástica larga, a um tutor. Fazer bacia em
torno da muda e cobrir com palha ou maravalha.
Tratos Culturais:
Controle de ervas: Pratica cultural
indispensável que pode ser praticada por meio de capina manual
(mediante coroamento com enxada notadamente na fase de formação
do pomar) ou por capina mecânica (feita cuidadosamente a evitar
que as raízes sofram lesões).
O controle por herbicidas ( empresas de médio e grande porte) é feito por uso de produtos a base de diurom e oryzalina (em mistura), ou ainda a base de dalapon, asulam + paraquat + diquat.
Podas: De formação: para apresentar copa funcional que permita tratos e facilidade na colheita a goiabeira necessita de poda de formação desde cedo; a planta deve ser conduzida com uma só haste até altura de 60cm. quando retira-se a a gema terminal. Até 25cm. abaixo do apice da planta deixa-se 4 ramos opostos 2 a 2 e orientados para os pontos cardeais e entrando desencontradamente no caule para formação da copa; após amadurecimento da planta esses ramos primarios são podados para ficarem com 45cm. de comprimento; daí em diante a copa deve-se formar à vontade.
Corretivas: Deve-se eliminar brotações que se dirigirem para o solo bem como ramos entrelaçados para ter-se copa aberta e arejada.
De limpeza: Após a produção anual deve-se eliminar ramos secos, doentes e entrelaçados. Os ramos inferiores da goiabeira devem estar a uma altura mínima de 45cm. do solo.
De frutificação-raleio dos frutos: Em caso de frutificação excessiva procede-se o raleio (eliminação) de frutos deixando-se os frutos mais centralizados. A poda de frutificação (ramos maduros com gema aptas à brotação) só deve ser feita em culturas irrigadas. Flores localizadas entre o meio e a base do ramo tem maiores probabilidades de frutificar.
Irrigação: Com irrigação a goiabeira apresenta boa produção de frutos e até 2 safras/ano; irrigação + poda adequada podem orientar a safra para épocas economicamente desejáveis.
Consorciações: A consorciação deve ser feita no período das chuvas na fase de formação do goiabal com culturas como caupi, milho, tomate rasteiro, melancia. Restrições são feitas para consorciações em goiabal maduro.
Adubações do goiabal: Analises de solo e foliar e observação visual do pomar podem indicar necessidades de adubação; caso isso não seja possível adubar segundo recomendação abaixo, por planta e por vez: 1º ano: 55g. de ureia e 35g. de cloreto de potássio no "pegamento" e final da estação chguvosa.
2º ano: 65g. de ureia.220g. de superfosfato simples e 50g. de cloreto de potássio no início e no fim da estação chuvosa.
Pomar safreiro: 170g. de ureia, 450g. de superfosfato simples e 100g. de cloreto de potássio no início e fim da estação chuvosa.
OBS: Aplicar 20l. de esterco de curral bem curtido por planta no início das chuvas. Os adubos devem ser lançados no solo, em circulo na projeção da copa e levemente incorporados.
Estudos (fora do Brasil) comprovaram que a prática de adubação foliar é benefica com misturas de ureia (3%) e acído borico (0,3%) e de sulfato de zinco (0,2 a 0,4%) induziram maturação em menor período, frutos maiores e de melhor qualidade, além de maior "pegamento" do fruto.
Pragas:
Broca-da-goiabeira: Timocrata albella Zeler 1939
- Lepidoptera.
A lagarta violeta-amarela depreda tronco e ramos como resultado formam-se aglomerados de excrementos ligados por fios de seda à pedaços de casca. O adulto é uma mariposa.
Controle: ao primeiro sinal de ataque ou pulverizações preventivas são feitas com inseticidas fosforados (paratiom, malatiom). Em infestação mais intensa a superfície do tronco ou ramo deve ser raspada (escova, luva) para expor o inseto - que é destruido - e em seguida pincela-se a área afetada com calda de carbaryl e oxicloreto de cobre.
Gorgulho-das-goiabas: Conotrachelus psidii, Marshall, 1922 - Coleoptera.
Ataca frutos, tornando-os imprestaveis para consumo; adulto é besouro pardo escuro e forma jovem é lagarta creme, cabeça parda, sem patas. A fêmea do besouro faz postura em frutos verdes e no local de postura assemelha-se a um ponto preto que torna-se cicatriz deprimida. A lagarta alimenta-se das sementes e induz a uma podridão seca no fruto.
Combate: pulverizações preventivas dos frutos - a partir do tamanho de azeitona - com inseticidas organo-fosforados; ensacamento do fruto nesse estadio, com papel resistente à umidade, também é forma de controle.
Mosca-das-frutas: Anastrepha sp., Ceratítis capitata - Diptera.
Mosca que ovipõem dentro do fruto; daí saem lagartas afiladas, cremes, sem patas, que se alimentam da polpa. "Maduras" abandonam o fruto e deixam entrada para podridões.
Controle: determinação da intensidade de ataque (frascos caça-moscas) e pulverização do pomar (produtos fentiom 50 CE, triclorfom 50 S, malatiom, 50 E, ); enterrio, a 70cm. de profundidade de frutos caídos ao chão.
Outros: Besouros
de folhas, psilideo das folhas, percevejos também atacam a
goiabeira.
Doenças:
Ferrugem - fungo Puccinia psidii, Vent.
Agente causal ataca tecidos novos de varios órgãos (folhas, gemas, flores, frutos). Os sintomas são lesões necróticas, arredondadas, com formação de pustulas pulverulentas amarelo-alaranjadas.
Controle: poda de limpesa (maior aeração da copa), controle de ervas daninhas, aplicação preventiva e curativa em pulverização de produtos quimicos à base de triadimefom, mancozeb, oxicloreto de cobre, chlorotholonil.
Seca-bacteriana - (bacteriose)
Agente causal bacteria Erwinia psidii, apresenta-se nas extremidades do ramo provocando murchamento repentino dos brotos terminais (ficam avermelhados). Ocorre também em flores e frutos até metade do desenvolvimento.
Controle: evitar podas ou colheita quando planta estiver umedecida por orvalho, chuva ou irrigação, podas de limpesa (aeração da copa) eliminar - queimar - ramos atacados, desinfetar ferramentas (água sanitária - 1:3 em água) pulverização com produtos cuprícos (da brotação do fruto até 3cm. de diâmetro).
Outras: Verrugose, antracnose também afetam a goiabeira.
Colheita:
Efetuar
colheita nas horas mais amenas do dia, evitar pancadas ou danos
mecânicos no fruto. Colher fruto plenamente desenvolvido e no
estágio de "de vez", no máximo; colher 2-3 vezes por
semana. Goiabas redondas são classificadas em.
Extra (15-21 frutos/caixa), especial (24-32 frutos por caixa) e primeira (35-45 frutos por caixa).
Produção/Rendimento:
Em áreas
irrigadas a produção alcança niveis superiores a 120
Kg/planta/ano e 10-15 toneladas de fruto/hectare.
Editora Abril
S.A
- Guia Rural Plantar - 1991
- Guia Rural Pomar - 1990
- São Paulo - SP.
Empresa Baiana
de Pesquisa Agropecuaria
- Instruções Práticas para o cultivo de frutas
tropicais.
- Circular Técnica nº 9 - maio 1984
- Salvador - Bahia
Ministério da
Agricultura, Abastecimento e Reforma Agrária - SDR - Frupex
- Goiaba para Exportação: Aspectos Técnicos da
Produção
- Embrapa - SPI
- Brasília, DF - 1994.
![]()
Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária