Secretaria de Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária
Aspectos Gerais:
O cará é
planta do grupo das olerícolas, muito rústica, que produz
tubérculos comestíveis; é amplamente cultivada em regiões
tropicais e serve de alimento nas América Central e Sul, na
Ásia e nas ilhas do Pacífico. No Nordeste brasileiro é ainda
conhecido como "inhame", confusão feita com o nome do
cará em espanhol - ñame - e, em italiano - iguame.
Botânica/Descrição
/ Variedades:
O cara pertence
a família Dioscoriaceae, Dicotyledonea e ao gênero Dioscorea,
que tem mais de 600 espécies, quatorze das quais tem seus
tubérculos utilizados como alimento.
É uma planta herbácea trepadeira (em geral) com tubérculos subterrâneos (aéreos em algumas espécies), caule volúvel, folhas estreitas em forma de ponta-de-faca. Os tubérculos são feculentos e contém vitaminas de complexo B.
As principais espécies são Discorea cayenensis, lam. Africana, com vários tipos (Cará-da-Costa, Cará Tabica, Cará Negro) e a D. alatah., com os tipos (Cará S. Tomé, Cará Mandioca, Cará Flórida). O Cará-da-Costa é rico em carboidratos, proteínas, Vit. C, riboflavina e ácido nicotinico.
Em Pernambuco e Paraíba a variedade mais plantada é o Cará-da-Costa, bastante produtiva (até 40t/ha), tubérculos com película escura, polpa branca e enxuta, formato cilíndrico e alongado, caule com 2-4m. de comprimento, com boa aceitação comercial. Não dispensa tutoramento.
No sudeste cultiva-se o tipo Flórida - resistente ao mal-da-requeima - tem tubérculos com casca marrom - clara, forma alongada, polpa granulosa, bom aspecto comercial. O Maranhão começa a cultivar esse tipo.
A composição por 100g. de polpa do tubérculo é: calorias (135), proteína (2,3g.), cálcio (28mg.), fósforo (52mg.), ferro (2,9g.), Vit. A (30mg.), Vit. B1 (0,04mg.), Vit. B2 (0,02mg.) e Vit. C (35mg.)
Utilidade do Cará:
O cará é um
alimento rico em carboidratos (feculento) muito consumido por
habitantes de países tropicais; na culinária pode ser utilizado
como substituto da batata inglesa, da batata doce e da macaxeira.
É alimento de fácil digestibilidade, indicado para dietas.
Algumas espécies tem valor farmacológico.
Por o tubérculo não se deteriorar após a colheita, pode conservar-se à sombra em estado natural por até 90 dias, por sua rusticidade e valor alimentício seu cultivo merece atenção no Nordeste brasileiro.
Necessidades da Planta:
Clima - Planta de clima tropical o cará
desenvolve-se bem em regiões quentes e úmidas em faixa de
latitude N e S de 30º (linha equatorial). Temperatura entre
25-30ºC, chuvas em torno de 1.500mm./ano com estação seca
definida de 2 a 5 meses. A planta não tolera frio e geadas.
Solos - Devem ser leves de textura pouco arenosa, profundos, com boa drenagem, ricos em matéria orgânica e com boa capacidade de retenção de umidade. O solo deve estar úmido no período de crescimento da planta. Deve-se evitar solos ácidos, solos com textura argilosa e os declivosos sujeitos à erosão. No Nordeste o cará também medra em solos de aluvião.
Propagação do Cará:
É feita
através de tubérculos - semente inteiros ou por tubérculos -
semente cortados transversalmente; em cada tubérculo há várias
gemas latentes que brotam quando as condições ambientes são
favoráveis (originam plantinhas). Podem ser utilizados com peso
entre 50g. e 250g., com bom aspecto sanitário. Só tubérculos
com peso de 150g. ou acima devem ser eleitos para divisão em 2-3
pedaços a servirem de material de plantio; o corte pode ser
feito por ocasião do plantio ou com uma pequena antecedência
(corte 3 dias antes ou até 1 dia antes colocando pedaços à
sombra). Os pedaços devem ser armazenados em local ventilado e
estarem protegidos da umidade , do calor e da insolação. Há
correlação positiva entre o peso do tubérculo utilizado no
plantio e a produtividade (tubérculos com 100, 150, 200 ,250g.
de peso produziram, respectivamente, 23,4t. 28,1, 32,1 e
35,5t./ha de cará).
Plantio:
Antes do
início do período chuvoso, mesmo com a terra seca; meses de
novembro e dezembro no Nordeste brasileiro.
O plantio pode ser feito em covas altas (matumbos) ou em camalhões; isso evita o apodrecimento dos tubérculos e facilita o arejamento e a drenagem do solo.
As covas altas são feitas com enxada ou cavadeira articulada abre-se covas com 0,35 x 0,35 x 0,30m. (de profundidade). Mistura-se adubo + terra retirada da cova, coloca-se a mistura na cova formando cova alta. Os camalhões (leirões) podem ser feitos com dois operários com enxadas movimentando o solo de lados opostos levantam camalhões com 30-35cm. de altura; o trator de pneu tracionando sulcador ou arado de aiveca ou arado de disco levanta leirões com 30-35cm. de altura sem dificuldades.
Espaçamento: para sistema em cova alta 1,2m. entre fileiras por 0,8m., entre plantas; para sistema em camalhões de 0,4m. gasta-se 2.100Kg./ha de tubérculo - semente e com o espaçamento de 0,6m. gasta-se 1.400Kg./ha, no plantio em montículo ou cova funda (1,25x0,8m.) gasta-se 500Kg./ha.
O preparo do solo exige aração a 30cm. de profundidade (para enterrar o mato) seguida de gradagem.
De ordinário o cará aproveita bem resíduos de adubos de outras lavouras. Caso deseje-se adubar aplicar 10-12t./ha de esterco de curral bem curtido 30 dias antes do plantio incorporando bem ao solo ou aplicar 3t./ha de esterco de galinha.
No cume dos camalhões são colocados manualmente, os tubérculos em covas com 5-8cm. de profundidade e cobertos com terra; deve-se cobrir o camalhão com camada de capim ou outro material.
Tratos Culturais:
Após o
brotamento do tubérculo deve-se proceder ao tutoramento
fincando-se varas (tutor) de madeira roliça com 2m. de
comprimento com 2,5cm. de diâmetro ao lado da planta, para
ajudar o caule volúvel a subir. Com espaçamento 0,4-0,6m., usar
1 vara para 2 plantas. A variedade Flórida dispensa tutoramento.
Capinas e amontoas ao longo do ciclo da cultura e cobertura morta em torno da planta.
Para rotação de culturas, usa-se milho, vagens, adubos verdes, outras hortaliças.
Pragas e Doenças:
Formiga
cortadeira (Atta sp) e nematoides (apodrecem tubérculos) atacam
o cará; usar formicidas e tubérculos sadios.
As doenças são requeima, mosaico e antracnose.
Colheita/Rendimento:
O ponto de
colheita é indicado quando as plantas apresentam muitas folhas
amarelas e os ramos começam a secar. A colheita é manual
(enxadões) ou com arado de aiveca.
Pós colheita os tubérculos devem ser lavados, selecionados, embalados e postos a sombra. Não devem ser feridos.
O rendimento geral e de 20t./ha; pode chegar a 40t./ha.
MAARA -
EMBRAPA/Banco do Nordeste
Circular Técnica n.º 18 - Maio 1998
Teresina - Piauí.
EDITORA ABRIL
Guia Rural Plantar - 1992
São Paulo - SP
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