Secretaria de Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária
Aspectos Gerais:
Originário das
Américas o abacaxizeiro é cultivado na Ásia, África, América
(Norte, Central, Sul) ; Tailândia, Filipinas, Brasil, China e
Índia destacam-se como países principais produtores (1994). No
Nordeste- com produção de 1.036.415t. (1998) - sobressaem-se
Paraíba(237.551t.), Bahia(168.518t) e Rio Grande do
Norte(88.726t.) como estados maiores produtores ; neste ano o
Nordeste do Brasil contribuiu com 49% da produção nacional. Na
Bahia a produção (67%) concentra-se nas regiões econômicas do
Paraguaçu, Sudoeste e Litoral Norte onde aparecem os municípios
de Coração de Maria, Santa Ines, Inhambupe, Cravolandia,
Irajuba e Entre Rios com produções expressivas. As regiões
Oeste e Baixo Médio São Francisco mostram-se promissoras para a
cultura do abacaxi.
Botânica/Descrição da
Planta/ Variedades:
O abacaxizeiro é classificado
como Ananas comosus (L, Merril), Bromeliaceae, Monocotiledonae;
os indígenas brasileiros chamavam-no de ibacati (fruta
cheirosa). Em língua espanhola é conhecido como
"piña", no inglês "pineapple" e
"ananás" por franceses, italianos, holandeses,
alemães. Planta perene, arbusto baixo, tem raízes profusas
pequenas que alcançam até 15 cm de profundidade, caule (haste)
com gemas (cicatrizes de folhas) que garantem a reprodução da
planta. Folhas planas, esverdeadas, com parte superior em calha
dispostas em espiral em torno da haste central que, no termino do
desenvolvimento, dá origem a 150 a 200 flores brancas ou
branco-roxas em espigas. Estas originam 100-200 frutos pequenos
(bagas), com pontas na casca, colados entre si e dispostos em
torno do eixo central (coração). O fruto inteiro
(infrutescencia) tem forma cilíndrica ou cônica (frutos maiores
na base), com rebentos na base e coroa de folhas no ápice. A
polpa do fruto é sucosa, aromática, saborosa, com leve acidez,
cor amarela ou amarelo-pálida (branca). É rica em açucares
(75% peso fresco), em sais minerais (cálcio, fósforo,
magnésio, potássio, sódio, cobre, iodo) em vitaminas (C, A, B1,
B2, Niacina); 100 g de polpa contêm 52 calorias; tem
valor alimentar, portanto. Ainda o fruto contêm o enzima
bromelina. Dentre as variedades, a mais cultivada é a Smoth
Cayenne, por suas características agro-industriais. Smooth
Cayenne: porte baixo, folha verde-escuro com 1 m de
comprimento, fruto grande, forma cilíndrica com até 2,5 kg de
peso, com 9-10 rebentos na base, com polpa amarela. Sensível às
doenças fusariose e fasciação.
Pérola: planta de crescimento ereto, folhas com 65 cm de comprimento, fruto cilíndrico (levemente cônico no ápice) com cor verde-amarelada, 3-8 rebentos na base, polpa amarelo-palida com baixa acidez. Sensível à fusariose e à fasciação.
Perolera: planta com folhas verde-escuras sem espinhos, fruto com peso médio de 1,78 kg, forma cilíndrica, cor externa amarela, polpa amarela. Apresenta resistência à fusariose e menor sensibilidade à fasciação .
Primavera: fruto cilíndrico, peso 1,25 kg, polpa branca, folha verde-claro sem espinhos. Apresenta resistência à fusariose e menor sensibilidade à fasciação.
Utilidade do Abacaxizeiro:
A planta é motivo
ornamental para a Pintura, Arquitetura e Escultura e usada sobre
pilares de alvenaria, na entrada de casas, vilas e jardins. O
caule é matéria prima para obtenção de álcool etílico,
gomas e matéria para industrias alimentares. Restos do
abacaxizeiro podem ser usados na alimentação animal (material
fresco ou ensilado).
Fruto: consumido ao natural, fresco, cortado em fatias (rodelas) ou em cubos, sob forma de sorvetes, doces, picolés, refrescos, sucos caseiros; industrializado o fruto apresenta-se como polpa, xarope, geleia, doces em calda, suco engarrafado. Em regiões secas e quentes obtém-se vinho do fruto doce e fermentado. Em alguns países o suco do fruto verde é tido como vermífugo. Ainda o fruto contêm o enzima bromelina de propriedades digestivas e tido como amaciante de carne.
Necessidades para o Cultivo:
As regiões que mais se
prestam ao cultivo do abacaxizeiro estão situadas entre os
paralelos 25º N e 25º S embora a planta adapte-se à vários
ambientes.
Clima:
Tem grande influencia
sobre crescimento, desenvolvimento e produção do abacaxizeiro;
a temperatura media anual mais adequada situa-se em torno de
24ºC (limites em 21ºC e 32ºC). A planta requer temperaturas
altas (29-30ºC) para produção de raízes e folhas.
Chuvas (pluviosidade):
Sua ausência na
frutificação atrasa o desenvolvimento do fruto e reduz
produção de mudas além de causar problemas na floração,
reduzindo rendimento da cultura. Em áreas com boa distribuição
de chuvas o total de 1.000 mm a 1.500 mm anuais satisfaz as
necessidades da planta . Estudos (Havaí) determinaram a
necessidade diária de água do abacaxizeiro em 1,5-3,0 mm de
água (45-90 mm mês/planta).
Umidade Relativa do Ar:
A umidade relativa
média está em torno de 75%. Mudanças bruscas no nível de
umidade podem causar fendilhamento do fruto e altos níveis de
umidade propiciam a incidência de doenças.
Luminosidade
(radiação solar):
Atua no crescimento
vegetativo e na qualidade do fruto (composição, coloração);
luminosidade intensa pode queimar o fruto interna e externamente.
A insolação requerida aceitável para desenvolvimento e
produção do abacaxizeiro é de 1.200 - 1.500 horas/ano e ótima
entre 2.500 a 3.000 horas/ano. Por fim o abacaxizeiro é tido
como planta de dias curtos; em dias curtos a floração da planta
dá-se mais rapidamente.
Ventos:
Quando fortes e secos
podem danificar a planta (ressecamento). Ainda ventos fortes
podem provocar tombamento da planta e dificultar tratos
sanitários.
Solos:
Com sistema radicular
relativamente superficial e frágil o abacaxizeiro só explora a
profundidade de 15 a 20 cm no solo. Assim fatores como aeração
e drenagem são importantes na seleção de área para
implantação da cultura pois a planta não tolera encharcamento
do terreno. Solos de textura média a leve, que assegurem boa
drenagem, ainda que argilosos, são indicados para a
implantação do abacaxizal. O pH ideal situa-se na faixa 4,5 a
5,5. Deve dar preferencia a terrenos planos a ligeiramente
declivosos (5% de declividade).
Em exploração comerciais o suprimento de nutrientes através da adubação, é prática quase obrigatória.
Plantio:
Obtenção de mudas: O
abacaxizeiro é propagado via mudas que podem advir de:
Rebentos: filhotes-rebentos (encontrado preso ao pedúnculo na base do fruto); filhote-rebentão (encontrado no ponto de união do pedúnculo do fruto com o caule e rebentão (encontrado na parte inferior do caule).
Coroa : roseta de folhas situada na parte superior do fruto.
Secções do caule (talo): provém do caule seccionado e estimulado a brotar e enraizar.
Em qualquer dos casos a muda deve ter origem em plantas sadias, vigorosas, de boa produção. A muda deve ser também sadia, vigorosa, tamanho uniforme (nunca abaixo de 25 cm de comprimento).
As que apresentarem sinais de ataque de pragas e doenças, podres, com goma, devem ser sumariamente eliminadas pelo fogo.
Para plantio as mudas devem ser separadas por tamanho e tipo (filhote, filhote rebentão e coroa).
Obtenção de mudas e rebentos:
Para melhorar a
qualidade dos rebentos e prepará-los para o plantio destacam-se
as operações de ceva e cura.
Ceva: consiste em deixar o rebento preso a planta-mãe pós colheita do fruto - durante o tempo necessário para que ele alcance o tamanho adequado para o plantio, em período de 2,5 a 3,0 meses, sob irrigação.
Cura: objetiva a cicatrizar tecidos feridos - da muda na sua colheita, a eliminar excesso de umidade do material e melhorar a eficiência da seleção de mudas. O processo consiste em expor as mudas - com base para cima - a ação dos raios solares durante o período de 7 a 15 dias.
Após ser efetuada a seleção por sanidade, tipo e tamanho - as mudas podem ser armazenadas/conservadas em local fresco, seco e sob sombra. Apoiadas umas as outras, na posição vertical com base para baixo elas são preservadas por meses. Na Bahia (Litoral Norte, Paraguaçu) usa-se muda tipo filhote em geral.
Obtenção de mudas por
seccionamento de caule:
Operação que leva 11 a
12 meses e feita com caule (talo) de planta que já produziu
fruto, após arranquio da planta, desbaste das folhas,
eliminação do sistema radicular e da parte apical. O caule é
cortado em pedaços compridos ou em discos; elimina-se pedaços
internos e externos que mostrem sinais de doenças. Os pedaços
sofrem tratamento com calda decorrente da mistura de fungicida
(Triadimefon-Bayleton 40 g/100 l água) e inseticida-acaricida
(etiom-Ethion 50 - 75 ml/100 l água ou monocrotofós - Nuvacron
90 ml/100 l água) por imersão durante 3 a 6 minutos.
As secções tratadas são plantadas em canteiros de terra com dimensões 120 cm ( largura) x 10 cm (altura) e comprimento variável. O espaçamento de plantio é 10 cm x 10 cm (100 secções por m2 ). Adubações, capinas e tratos sanitários ( mesma calda acima) e irrigações fazem-se necessários. Quando a plantinha atingir a 25 cm de altura estará apta ao plantio em campo. Este processo pode proporcionar um rendimento de 85% de mudas sadias; um hectare de viveiro produz 488 mil mudas.
Escolha da área para plantio:
Deve-se levar em conta:
disponibilidade e custo da mão-de-obra( pelo menos 170
homens/dia para 1 hectare), vias de acesso a área e para
escoamento da produção, existência de mananciais de água,
proximidade de centros consumidores(mercados e indústrias).
Além disso a área deve satisfazer às necessidades da cultura.
Preparo do solo:
Em áreas não cultivadas,
se necessário, efetuar as operações de roçagem, destoca
encoivaramento e queima da coivara; em áreas anteriormente
cultivadas com abacaxi o resto de cultura deve ser eliminado, com
boa antecedência ao plantio, mediante sua incorporação ao solo
e sua queima( caso de pequenos produtores).
Em seguida deve-se proceder a aração - à profundidade mínima de 30 cm - que deve ser seguida por duas gradagens.
Sistema de
plantio/Espaçamento:
O abacaxizeiro pode ser
plantado em sistemas de filas simples, de filas duplas, triplas,
quádruplas e quíntuplas. Os mais comuns são fileiras simples e
fileiras duplas. A escolha do sistema condiciona-se à
disponibilidade da área, à característica física da variedade
a plantar, à disponibilidade de mão-de-obra, ao tipo de solo,
à topografia do terreno, entre outros.
Fileira simples facilita tratos culturais em abacaxizais com
variedades de folhas espinhosas. O de fileiras duplas abriga
maior número de plantas por unidade de área, melhor
sustentação das plantas e evita tombamentos na frutificação.
As plantas das duas fileiras juntas devem ser plantadas em
espaços desencontrados(plantio em quincôncio).
Os espaçamentos preconizados, em geral, são os seguintes:
Fileiras simples; 80 cm -120 cm entre filas e 30 cm a 40 cm entre plantas, o que proporciona populações entre 48 mil a 20 mil plantas por hectare.
Fileiras duplas; 70 cm a 90 cm
entre filas duplas, 30 cm a 40 cm entre filas simples e 22 cm a
35 cm entre plantas na filas, o que proporciona populações em
torno de 75 mil a 40 mil plantas/hectare.
Na Bahia(Litoral Norte) pratica-se o espaçamento de 60 cm x 30
cm x 30 cm.
Obs. : plantas sem espinhos nas
folhas - variedades Smooth Cayenne, Perolera e Primavera -
permitem utilização de espaços menores. As Pérola e Jupi -
com espinhos nas folhas - só admitem espaçamento mais largo.
Quando a produção destina-se a fins industriais - espaçamentos
maiores(para frutos acima de 1,5 kg de peso) - e para consumo in
natura - espaçamentos menores (para frutos com peso 1,0 - 1,5
kg).
Época de Plantio:
Na Bahia a época de
plantio estende-se de janeiro a março (região Litoral Norte) e
de janeiro a junho (região do Paraguaçu) sempre em função das
chuvas. Todavia a depender da disponibilidade de mudas, das
condições de umidade no solo e época em que se deseja colher o
fruto ,o plantio pode ser feito em outras épocas do ano. Em
meses muito chuvosos não se deve plantar o abacaxi.
Plantio propriamente dito:
Pode ser feito em covas, fendas ou em sulcos; prefere-se sulcos
(quando dispõe-se do sulcador) para áreas grandes e covas
(pode-se usar coveador mecânico ou pá). Sulcos ou covas devem
ter profundidade para evitar tombamento da muda); a fenda é
aberta com enxadeta e a muda é colocada inclinada nela.
Em cova ou sulco a muda é colocada na posição vertical, chega-se terra a ela (sem deixar cair terra no centro da roseta foliar).
As mudas são plantadas em quadras ou talhões separados segundo seu tipo, pêso ou tamanho. Nos terrenos planos sulcos ou covas são abertos no sentido do maior comprimento de área ( aumenta rendimento das máquinas). Em terrenos com declive o plantio deve ser feito usando curvas de nível ou outro método conservacionista. Também planta-se em camalhões com 100 cm de largura na base, 70 cm de largura no topo e 15 cm de altura.
Correção da acidez do
solo/adubações:
Através da análise
de solo são determinados os níveis de alumínio trocável,
cálcio, magnésio, nitrogênio, fósforo e potássio além do pH
do solo. As recomendações decorrentes indicam as quantidades de
calcário dolomitico a aplicar ao solo, (com antecedência
mínima de 60 dias ao plantio) para seu objetivo maior que é
elevar os teores de cálcio e magnésio mantendo o pH entre 4,5 e
5,5 (faixa adequada para o cultivo).
Adubação do abacaxizeiro:
Importante seguir as
recomendações de adubação da análise de solos. As
indicações de adubação para a Bahia pressupõem a operação
de indução floral entre o 9º ou 10º mês pós plantio. As
adubações deverão ser feitas em cobertura entre o 1º e 2º
mês, entre o 5º e 6º mês e entre 8º e 9º mês, em períodos
de bom nível de umidade no solo. Importante manter relação N/K2O(nitrogênio/potássio)
entre 1,5 a 2,5. Havendo adubos orgânicos - estercos, tortas
vegetais (mamona, cacau) - sua utilização é recomendada nos
solos de solos de textura leve e pobres em matéria orgânica e
devem ser aplicados 30 dias antes do plantio ou na 1º cobertura.
As fontes de nutrientes mais comuns são: uréia, sulfato de
amônio, superfosfato simples (preferido por fornecer enxofre
também), fosfatos mono e di-amonio, superfosfato triplo, cloreto
de potássio e sulfato de potássio. Adubos minerais sob forma
solida são aplicados no solo junto à planta ou nas axilas das
folhas basais devendo-se chegar terra ao pé para cobrir adubos
no solo. Adubos via líquida podem ser aplicados às folhas nas
estações secas ou para suplementações de nitrogênio e
potássio, (em horas frias do dia). A concentração da solução
a aplicar não deve exceder a 8%.(uréia a 3%).
Controle de ervas daninhas:
Manter o abacaxizeiro
livre de ervas daninhas notadamente nos 6 primeiros meses pós
plantio; a limpeza pode ser feita por enxada ou por aplicação
de herbicidas . Na capina fazer a amontoa (chegar terra ao pé da
planta com o cuidado de não jogá-la na roseta). Herbicidas são
indicados para grandes plantios e períodos chuvosos, em duas
etapas: 30 a 60 dias e 90 a 120 dias pós plantio em
pré-emergência das ervas. Alguns produtos à base de diuron,
bromacil, simazina tem sido recomendados.
Irrigação:
Em zonas com escassez de
chuvas e onde os períodos secos superem 3 meses a irrigação
faz-se necessária. A demanda de água pelo abacaxizeiro é de
1,5-3,0 mm/dia, as exigências hídricas aumentam a partir do 2º
mês de vida e intensificam-se a partir do 5º mês até o 10º
mês; 60 mm a 100 mm/mês é a quantidade de água recomendada
para irrigação, utilizando-se o método de aspersão.
Indução floral:
Para antecipar o início
da floração e mais tarde a colheita aplica-se substâncias
químicas-fitoreguladoras como carbureto de cálcio, acetileno e
etephon - na roseta foliar ou em pulverizações foliares- . As
dosagens são 1 a 2 gramas de carbureto na roseta foliar em dias
chuvosos, ou 50 ml de solução de etephon (de solução com 20
ml do etephon, 30 g de cálcio virgem e 2% de uréia diluídos em
100 l de água) pulverizados sobre a planta. As aplicações
devem ser feitas em horas frescas do dia ou à noite (entre 20
horas e 5 horas). Entre 7 e 14 meses as plantas podem sofrer
indução floral.
Consorciação/Rotação:
Como cultura principal o
abacaxizeiro é consorciado com feijão, feijão macassar,
mandioca, milho, amendoim; como cultura secundária pode ser
consorciado ao abacate, citros, manga, coco, mamão.
A rotação de culturas é feita com soja, sorgo, feijão macassar, outras, em alguns países.
Pragas :
Cochonilhas, ácaro
vermelho e broca-do-fruto são pragas mais comuns na Bahia.
Cochonilha do abacaxi: Dysmicoccus brevipes (Cockerell, 1939), Homoptera, Pseudococcidae. Também conhecida como piolho-branco é um inseto pequeno, sem asas, coberto por camada pulverulenta branca. Também encontrada na batatinha, amendoim, bananeira, milho, soja, outras. É responsável pela transmissão da doença murcha-do-abacaxi (causa sérios danos à variedade Smooth Cayeime). Vivem em colônias nas raízes e axilas das folhas sugando a seiva; com aumento populacional o inseto ataca flores e frutos. Vivem em simbiose com formigas doceiras, atacam o abacaxizeiro a partir do 2º mês de vida.
O controle pode ser feito pela aplicação de produtos químicos à base de paration etílico ou metílico (Folidol ou Rhodiatox na dosagem de 90 ml/100 l água) ou dimetoato (60 ml/100 l água). Aplica-se pulverização preventiva - 60 ml da calda por planta- entre 60 a 150 dias pós plantio.
Em períodos chuvosos usar inseticidas granulados sistêmicos de solo na dose de 0,5 a 1 g por planta (dissulfoton, aldicarbe) do produto comercial no solo junto a planta.
Tratamento de mudas, com dosagens acima de paratiom ou diazinom ( 90 ml/100 l água) podem ser feitos mergulhando as mudas por 3-5 minutos.
Broca-do-fruto: Thecla basilides (Geyer, 1837) Lepidoptera, Leycaenidae. Causa grandes danos em várias regiões produtoras com nível de infestação em 80%. Adulto é pequena borboleta cinzenta-escuro brilhante, com manchas circulares alaranjadas nas asas posteriores; larva (forma jovem) é lagarta que, desenvolvida, tem cor amarelo-escuro, corpo ligeiramente achatado com aspecto de lesma. As borboletas põem ovos brancos na parte superior e média da inflorescencia e no pedúnculo. A lagarta ataca a inflorescencia, flores, mudas, folhas e frutos. O fruto atacado exsuda resina líquida que se solidifica com o ar. A lagarta empupa na parte inferior da folha.
Controle- Pulverizações com os químicos carbaryl 85 M(260 g em 100 l de água) paration metílico ou diazinom (90 ml em 100 l de água) ou Bacilus thuringiensis ( Dipel PM -600 g/hectare) aplicando-se 30 a 50 ml da calda por inflorescencia. As pulverizações devem ser feitas no "olho" da planta desde o aparecimento da inflorescencia - 45 dias pós indução floral até 40 dias depois em intervalos de aplicações de 15 dias (10 dias para o Dipel).
Doenças:
Entre as principais estão
a fusariose e a podridão-negra-do-fruto.
Fusariose - causada pelo fungo Fusarium subglutinans, responsável pela perda de 30% da produção brasileira. O fungo infecta todas as partes da planta provocando exsudação de substância gomosa na área afetada. A planta atacada exibe encurtamento e curvatura do caule (lado da lesão). Fruto exsuda goma através da cavidade floral e a polpa apodrece.
Controle - Emprego de mudas sadias, nos novos plantios (mudas de seccionamento do caule), de plantas que geraram frutos sadios; em áreas de incidência de fusariose, proceder seleção rigorosa de mudas. Eliminação de restos de antigas culturas e inspeções permanentes com eliminação de plantas doentes concorrem para diminuir a infecção .
Pulverizações, com início aos 45 dias pós indução floral e com intervalos de 10 dias (quatro vezes), com produtos químicos à base de benomyl (Benlate), thiabendazol (Tecto), tiofanato metílico (Cerconil) na dosagem de 250 a 300 g/100 l de água.
Podridão-negra-do-fruto: Causada pelo fungo Thielaviopsis paradoxa provoca perdas significativas a frutos destinados à exportação. Essas perdas dão-se entre colheita e processamento. Podridão mole na polpa cor amarela-intenso evolui para decomposição da polpa que se liqüefaz; externamente há exsudação do suco que resulta em fruto ôco.
Controle - Colher frutos com um segmento de pedúnculo (2 cm), evitar ferimentos no fruto, armazenar frutos a 8°C e manter essa temperatura no transporte, eliminar restos de antigas culturas nas proximidades de área de estocagem/manuseio de frutos.
Imergir pedúnculo numa calda fungicida - para proteger corte de colheita - em caldas de benomyl (Benlate a 0,8%) e triadimefon (Bayleton a 0,4%).
Colheita/Rendimento/Embalagem/Transporte:
Colheita - A maturação
é avaliada pela coloração da casca que passa do verde ao
amarelo, progressivamente. Com aproximação da maturação a cor
passa a bronzeado, os "olhos" passam de pontiagudos a
achatados e o espaço entre "olhos" estendem-se,
superfície do fruto fica mais lisa.
Fruto para indústria é colhido
maduro; para consumo in natura é colhido "de vez". A
colheita é feita com facão, e os frutos são acondicionados em
cestas, balaios.
Frutos de plantas que sofreram indução são colhidos entre 12 e
14 meses pós plantio; frutos de plantas sem indução são
colhidos aos 18 meses.
Rendimento - O rendimento médio - 1 colheita - está em 80%; No espaçamento 0,8 m x 0,3 m, 41.600 plantas/hectare, com rendimento de 80% obtêm-se 33.200 frutos comercializáveis (75% frutos de 1ª qualidade e 25% frutos inferiores).
Embalagem/Transporte - Colhidos os frutos são levados a galpões, selecionados quanto qualidade e sanidade, classificados por tamanho/peso (segundo destino); após tratamento contra podridões são embalados em caixa de papelão ou de madeira (520 mm x 290 mm x 290 mm) para exportação ou à granel para mercados ou indústrias.
No transporte para exterior os porões de navio devem estar com 85 - 90% de umidade e 8 - 12°C de temperatura em seu ambiente.
Luiz Epstein - 1999
![]()
Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária